“Bom Futuro”: Filme gravado em Rondônia revela histórias de mulheres do garimpo de cassiterita e estreia em 2026

As primeiras imagens de “Bom Futuro”, um dos mais ambiciosos projetos do cinema de Rondônia dos últimos anos, começam a ser divulgadas e prometem colocar o audiovisual amazônico em destaque no cenário nacional. Dirigido por Fabiano Barros e produzido pela Conexão Norte, o longa-metragem tem estreia prevista para o final de 2026.
Gravado entre junho e julho de 2025, o filme Bom Futuro realizou 40 dias de filmagens em Rondônia, percorrendo diferentes territórios do estado: Porto Velho, Candeias do Jamari, a região de Bom Futuro no município de Ariquemes, além de comunidades rurais e ramais históricos ligados à exploração de cassiterita na década de 1990.
Quatro mulheres, uma história de resistência
Baseado na história real do garimpo de cassiterita, o projeto constrói uma narrativa ficcional que mistura drama, thriller social, realismo mágico, ficção histórica e elementos de western amazônico. No centro da trama, quatro mulheres que viveram no garimpo nos anos 1990:
- Binha (interpretada por Layra Angélica), mulher trans que enfrenta o preconceito cotidiano enquanto luta por dignidade;
- Zefa Sibita (Agrael de Jesus), idosa que mantém um bar como forma de subsistência em um ambiente dominado por tensões;
- Chica (Kaline Leigue), mãe e evangélica que tenta sustentar a casa enquanto enfrenta o alcoolismo do marido;
- Maria Surrupei (Joria Lima), rezadeira que carrega o trauma de violências sofridas durante operações policiais.
Segundo a proposta estética do filme, a obra busca “visibilizar o invisível”, trazendo para o centro da narrativa personagens historicamente apagadas dos registros oficiais da ocupação amazônica.
Cinema regional gera emprego e movimenta economia criativa
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital nº 11, o longa-metragem Bom Futuro contou com financiamento público articulado pela SEJUCEL, com apoio do Governo de Rondônia e do Governo Federal. A produção cinematográfica gerou mais de 400 postos de trabalho diretos e indiretos, envolvendo técnicos, artistas, moradores das comunidades e profissionais da cadeia audiovisual local.
A coordenação geral do projeto é de João Leão e Emili Lamarão. O elenco conta ainda com José Valdomiro, Osmar Scarpatti, Gilmar Franco e Tino Alves, além de um amplo grupo de atores do próprio estado, fortalecendo o cinema regional e a indústria criativa que cresce ano a ano no Brasil.
Fotografia mostra Amazônia devastada
As primeiras imagens revelam paisagens marcadas pelo barro e pela poeira, ruínas e uma floresta ferida, contrastadas com momentos de espiritualidade, afeto e sororidade feminina. A direção aposta em uma fotografia naturalista assinada por Neto Cavalcante, Fabiano Barros e Rafael Rogante, com forte presença do ambiente amazônico devastado como personagem dramático, evidenciando o impacto social da mineração predatória.
Além do resgate histórico, o filme propõe uma reflexão sobre as consequências humanas do ciclo mineral e a violência vivida por mulheres em Rondônia. A obra também reforça a importância de investimentos contínuos no audiovisual regional, ao registrar práticas culturais, memórias sociais e modos de vida amazônicos.
Atualmente em fase de pós-produção, Bom Futuro tem estreia prevista para o final de 2026, com expectativa de circulação em festivais nacionais e internacionais antes do lançamento comercial. O longa se apresenta não apenas como obra cinematográfica, mas como um gesto de reconstrução de memória coletiva, narrando a Amazônia a partir das vozes de quem permaneceu depois que o ouro e a cassiterita deixaram de brilhar em Rondônia.
Via Media Press

