Como funciona uma bomba atômica e por que nem todo urânio pode ser usado para produzi-la?
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A bomba atômica é uma arma de enorme poder destrutivo baseada em um fenômeno chamado fissão nuclear, processo em que o núcleo de um átomo pesado se divide em partes menores e libera grande quantidade de energia. Esse mecanismo gera uma reação em cadeia extremamente rápida, responsável pela explosão nuclear.
Na prática, a reação ocorre quando um nêutron atinge o núcleo de um átomo instável, como o do urânio-235. O núcleo se quebra em elementos menores e libera mais nêutrons e energia. Esses novos nêutrons atingem outros átomos, provocando novas fissões e ampliando a reação em cadeia em frações de segundo.
Embora o urânio seja essencial nesse tipo de arma, nem qualquer tipo do elemento pode ser usado. O urânio encontrado na natureza é formado principalmente pelo isótopo urânio-238, enquanto o urânio-235, que é o que realmente permite sustentar a reação em cadeia necessária para a explosão, representa apenas cerca de 0,7% do total.
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Por isso, para fabricar uma bomba nuclear é preciso passar por um processo chamado enriquecimento de urânio, que aumenta a proporção de urânio-235 no material. Para uso militar, esse nível geralmente precisa ultrapassar cerca de 90% de concentração do isótopo.
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O enriquecimento costuma ser feito em equipamentos chamados ultracentrífugas, que giram o material em altíssima velocidade para separar os diferentes tipos de urânio. O urânio-238, mais pesado, se desloca para as bordas, enquanto o urânio-235 permanece mais concentrado no centro e pode ser extraído.
Quando a reação em cadeia acontece dentro da bomba, uma quantidade enorme de energia é liberada em poucos instantes. Essa energia aparece na forma de calor extremo, onda de choque e radiação, capazes de destruir cidades inteiras. Além do urânio-235, algumas bombas nucleares também utilizam plutônio-239, um material produzido artificialmente em reatores nucleares e que também pode sustentar reações de fissão.
Esse tipo de arma ganhou notoriedade após a Segunda Guerra Mundial, quando bombas nucleares foram usadas contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, demonstrando o potencial devastador dessa tecnologia.




