Justiça manda prender goleiro Bruno após passagem pelo Vasco do Acre

Publicado em: 07/03/2026 12:44

Justiça manda prender goleiro Bruno após passagem pelo Vasco do Acre

Ex-jogador teve liberdade condicional revogada por descumprimento das regras do benefício.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou a revogação da liberdade condicional do goleiro Bruno na última quinta-feira, 6, após o descumprimento das condições do livramento condicional. A decisão inclui a expedição de mandado de prisão para que o ex-jogador volte a cumprir pena em regime semiaberto.

A medida ocorre depois de Bruno ter viajado ao Acre no início de fevereiro para atuar como goleiro do Vasco do Acre. Durante a passagem pelo estado, ele assinou contrato com o clube e disputou uma partida válida pela primeira fase da Copa do Brasil.

Na ocasião, o Vasco do Acre enfrentou o Velo Clube. O jogo terminou empatado em 1 a 1 no tempo regulamentar. Na disputa de pênaltis, Bruno defendeu duas cobranças e ainda converteu uma penalidade, mas o time acreano acabou eliminado pelo placar de 3 a 2.

Após a curta passagem pelo futebol acreano, Bruno assinou, no dia 28 de fevereiro, contrato com o Menezes Esporte Clube, equipe amadora de Minas Gerais.

Decisão judicial

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a liberdade condicional foi revogada após manifestação do Ministério Público.

“Acolho o parecer ministerial e revogo o livramento condicional concedido ao apenado na forma da primeira parte do artigo 87 do Código Penal. Expeça-se mandado de prisão, no regime semiaberto, com validade de 16 anos”, diz trecho da decisão.

Histórico do caso

na pelo assassinato de Eliza Samudio. O crime ocorreu em 2010 e o goleiro foi condenado em 2013 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Eliza foi morta e teve o corpo ocultado. O ex-jogador recebeu pena de 22 anos e 3 meses de prisão. A decisão judicial agora determina o retorno do cumprimento da pena após a revogação do benefício de liberdade condicional.

Mãe de Eliza Samudio se manifesta após mandado de prisão contra goleiro Bruno: ‘Pisa na cabeça da Justiça’

Ex-jogador do Flamengo violou o livramento condicional e terá de voltar ao regime semiaberto após sair do Estado do Rio sem autorização judicial

Sônia Moura, mãe de Eliza, manifestou-se após a Vara de Execuções Penais do Rio revogar o livramento condicional concedido ao goleiro Bruno na última quinta-feira, mas com as informações divulgadas nesta sexta-feira, 6. A Justiça expediu mandado de prisão para que ele volte a cumprir pena em regime semiaberto. Em conversa com o EXTRA, Sônia desabafou sobre o sentimento de impotência quanto a tudo que passou por causa de Bruno.

“O Bruno pisa na cabeça da Justiça. O que ele já fez… Ele ficou três anos sem atualizar o endereço e a o oficial de Justiça atrás dele por questão da pensão, vamos ver se vão encontrar ele no endereço que deu. Vamos esperar para ver o que a Justiça vai fazer, proque a gente não pode fazer nada, não podemos usar os mesmos meios que ele usa, vamos pelos legais, até porque não somos mau-caráter como ele”, desabafa.

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Hoje com 41 anos, o ex-jogador do Flamengo foi condenado a 23 anos de prisão pela morte da modelo Eliza Samudio. Sônia sempre foi atuante na busca de justiça pela filha. Ela, inclusive, irá participar do protesto contra o aumento do feminicídio no Dia Internacional da Mulher, no próximo domingo, 8, no Posto 3, na Orla de Copacabana.

“Que a Justiça consiga olhar com mais empatia porque nós, familiares que ficam, estamos sequelados para sempre, e tem muita gente que não sabe a diferença de um erro e de uma pessoa que comete crime (…) Eu, hoje, estou um pouco mais crente que a Justiça estpa fazendo seu papel, como deve ser feita. Espero que não seja só no meu caso, que seja em todos que estão surgindo”, afirmou.

O assassinato de Eliza Samudio em 2010 pelo goleiro Bruno, embora anterior à lei contra o feminicídio, destacou a necessidade de maior proteção contra a violência de gênero no Brasil. O caso evidenciou falhas na proteção de mulheres, impulsionando debates que culminaram na aprovação da Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015).

“Bruno foi julgado, condenado e recebeu a sentença da mãe de uma mulher no Dia Internacional da Mulher, em 2013. E hoje ele recebe essa nova condena muito próximo da data. Tenho que dar os parabéns para esse juéz, achei que ele fosse ser conivente e passar a mão na cabeça de Bruno como vi tantas e tantas vezes”, relembra.

As informações sobre a revogação do livramento condicional foram publicadas primeiramente pelo blog do jornalista Ancelmo Gois, colunista do jornal O Globo.

A decisão foi tomada após o descumprimento de condições impostas para o benefício. No início de fevereiro, poucos dias depois de obter o livramento condicional, Bruno viajou para o Acre sem autorização da Justiça, apesar da determinação de que não poderia deixar o Estado do Rio.

Após a decisão, Bruno apagou suas redes sociais, onde publicava com bastante frequência sobre sua vida profissional. Atualmente ele defende o clube Vasco-AC, um dos mais tradicionais clubes do Acre e que vai disputar a Copa do Brasil. O goleiro também iria se candidatar a deputado em 2031, mas com a prisão, a pena dele irá prolongar-se, o que dificulta a candidatura.

Via Extra

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