‘Comer plástico’: tendência perigosa nas redes sociais acende alerta para riscos à saúde de jovens

Publicado em: 17/03/2026 23:45
‘Comer plástico’: tendência perigosa nas redes sociais acende alerta para riscos à saúde de jovens
Foto: Reprodução

Especialistas consultados pelo jornal LA NACION alertaram que este não é um simples desafio, mas um comportamento alimentar de risco que pode mascarar ou agravar um transtorno alimentar

Vídeos que viralizaram nas redes sociais mostrando jovens “comendo” alimentos envolvidos em plástico acenderam um alerta entre especialistas em saúde. A prática, conhecida como “comer plástico”, começou na versão chinesa do TikTok, o Douyin, e rapidamente se espalhou para o TikTok, ganhando força em diversos países com a hashtag #PlasticEating.

 

Nos vídeos, o mecanismo é simples — e perigoso. Jovens colocam filme plástico sobre a boca ou embrulham alimentos antes de mastigar, simulando o ato de comer sem engolir. A ideia, vendida como “truque”, seria enganar o cérebro e evitar a ingestão de calorias.

 

Mas especialistas são categóricos: não se trata de uma brincadeira inocente, e sim de um comportamento alimentar de risco, que pode trazer consequências sérias para a saúde física e mental.

 

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A médica Mabel Bello, da organização ALUBA-Fundación Fundaluba, alerta que práticas como essa estão diretamente ligadas a transtornos alimentares, que costumam surgir na adolescência e estão associados à pressão estética, medo de engordar e busca por aceitação.

 

Segundo ela, comportamentos como restrição alimentar extrema, evitação da comida e mecanismos de “purgação” fazem parte de um quadro mais complexo, muitas vezes ligado a insegurança, ansiedade e até medo do futuro.

 

A nutricionista Laura Salzman reforça que esse tipo de conteúdo não deve ser tratado como desafio ou tendência.

 

— Precisamos parar de romantizar isso. Não é um jogo, é um comportamento de risco — alerta.

 

Ela explica que mastigar e cuspir alimentos — prática semelhante à mostrada nos vídeos — já é comum em pacientes com transtornos alimentares e pode agravar o problema. Entre os efeitos estão desregulação do apetite, aumento da ansiedade, problemas digestivos e reforço de um ciclo de culpa e compulsão.

 

Além dos impactos psicológicos, há riscos físicos imediatos. O médico Ramiro Heredia, ligado ao Hospital Clínico José de San Martín da Universidade de Buenos Aires, alerta para o perigo de sufocamento.

 

— Estamos falando de colocar plástico na boca durante a alimentação. Se esse material for inalado, pode causar asfixia e até levar à morte — explica.

 

Ele também chama atenção para a possível ingestão de microplásticos, substâncias cada vez mais associadas a danos à saúde.

 

Do ponto de vista psicológico, o impacto pode ser ainda mais profundo, especialmente entre adolescentes. O psicólogo Sergio Héctor Azzara explica que, nessa fase da vida, o cérebro ainda está em desenvolvimento, o que torna os jovens mais vulneráveis a conteúdos que prometem soluções rápidas para emagrecimento e aparência.

 

 

 

— Esses vídeos oferecem uma falsa sensação de controle e resultados imediatos, o que é extremamente perigoso — afirma.

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