Guerra no Irã pode encarecer ovo, frango e carne suína no Brasil

Publicado em: 26/03/2026 15:25

Associação Brasileira de Proteína Animal indica que itens podem subir de preço em breve

Paulo Moura

Ovos podem encarecer diante da guerra no Irã Foto: Freepik

O aumento dos custos provocado pela guerra no Irã já começa a impactar diretamente o preço dos alimentos no Brasil e pode pesar no bolso do consumidor nos próximos dias. É o que aponta a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que informou que itens básicos como ovos, frango e carne suína devem sofrer reajustes em breve.

De acordo com a entidade, a alta no preço do diesel, que é reflexo do conflito, elevou em até 20% o custo do frete rodoviário, afetando toda a cadeia produtiva, desde o transporte de insumos até a distribuição final. Outro fator de pressão vem das embalagens plásticas, derivadas do petróleo, que já registram aumento de até 30%, também influenciadas pelas dificuldades logísticas na região do Estreito de Ormuz.

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– Frente a este quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína – diz a ABPA.

O impacto ocorre em um momento de demanda aquecida, especialmente no caso dos ovos. Apesar de acumular queda de 10,79% em 12 meses, segundo o IPCA, o preço do produto já apresentou alta de 4,55% em fevereiro. A elevação está ligada, em parte, ao período da Quaresma, quando há aumento no consumo de alternativas à carne vermelha por tradição religiosa.

Além da influência sazonal, há também uma mudança de comportamento alimentar. O consumo de ovos segue em forte crescimento no país, impulsionado por dietas voltadas à alta ingestão de proteína. Em 2025, cada brasileiro consumiu, em média, 287 ovos, um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior e mais de 33% na comparação com 2015.

Os reflexos da crise no Oriente Médio, por sinal, não devem se limitar aos combustíveis e alimentos. Produtos como fertilizantes, medicamentos e eletrônicos também podem sofrer impactos, ampliando o efeito inflacionário no Brasil nas próximas semanas, ou meses, a depender da duração do conflito.

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