Formigas-rainhas voando no Quênia geram mercado negro e preocupações ambientais

Publicado em: 30/03/2026 10:57
Formigas-rainhas voando no Quênia geram mercado negro e preocupações ambientais
Foto: KWS

Um grande carregamento de formigas vivas foi encontrado na bagagem no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, com destino à China, no início deste mês

Durante a estação chuvosa, enxames de formigas-rainhas gigantes africanas coletoras (Messor cephalotes) têm sido vistos deixando os formigueiros em Gilgil, no Vale do Rift, Quênia. Esse período de acasalamento tornou-se alvo de um comércio ilegal em expansão, voltado para colecionadores internacionais de formigas em formicários transparentes.

 

Uma rainha fecundada pode fundar colônias e viver por décadas, tornando-a valiosa, e cada exemplar pode chegar a cerca de R$ 1.185 no mercado clandestino. O tráfico inclui transporte por correio, com embalagens que garantem sobrevivência por semanas, explorando a dificuldade de detecção em scanners.

 

Em 2025, cinco mil rainhas foram apreendidas em Naivasha, destinadas à Europa e Ásia. Recentemente, mais 2 mil foram encontradas com um cidadão chinês no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta. Detidos pagaram multas ou cumpriram pena alternativa de 12 meses.

 

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Especialistas alertam para os riscos ambientais do comércio ilegal, pois a coleta de rainhas pode levar ao colapso das colônias, prejudicando ecossistemas locais. Além disso, a exportação para países que não possuem essas espécies nativas pode resultar em impactos agrícolas e ecológicos.

 

Apesar de a coleta legal ser possível com permissão e acordo de repartição de benefícios, nenhuma licença tem sido registrada. Atualmente, nenhuma espécie de formiga é listada na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES), o que torna o monitoramento do comércio praticamente invisível.

 

Um formicário permite que colecionadores vejam o funcionamento de uma colônia — Foto: Getty Images/BBC

Um formicário permite que colecionadores vejam

o funcionamento de uma colônia.

(Foto: Getty Images/BBC)

 

Conservacionistas e cientistas defendem maior regulamentação internacional e melhor vigilância em fronteiras. Por outro lado, o governo do Quênia considera a exploração sustentável de formigas uma oportunidade para gerar empregos e renda comunitária, sugerindo que formicários controlados poderiam integrar a economia local de forma legal e segura.

 

 

 

Em resumo, o comércio de formigas-rainhas no Quênia é um fenômeno que mistura fascínio científico, oportunidades econômicas e riscos ambientais, exigindo equilíbrio entre exploração sustentável e proteção da biodiversidade.

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