Ministro do stf determina que polícia federal questione autoridades americanas sobre liberação do ex-deputado preso por questões migratórias
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reagiu com irritação à rápida soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos e determinou que a Polícia Federal busque explicações diretas junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas americano, o ICE.
Ramagem, condenado pelo STF a mais de 16 anos de prisão por suposta participação em trama golpista relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023, foi detido na segunda-feira, 13 de abril, em Orlando, na Flórida, por questões migratórias. A prisão durou apenas dois dias. Na quarta-feira, 15 de abril, ele deixou o centro de detenção do ICE por volta das 15h52 no horário de Brasília, sem que as autoridades americanas tivessem divulgado os motivos da liberação. Aliados do ex-deputado celebraram o episódio como uma vitória, atribuindo a soltura a contatos com o governo Trump e indicando que Ramagem deve permanecer em liberdade enquanto aguarda resposta a um pedido de asilo político.
A Polícia Federal, que havia divulgado a detenção como resultado de cooperação internacional, ficou surpresa com a rapidez da medida. Fontes da instituição afirmam que não receberam comunicação oficial sobre as condições que permitiram a liberação, apesar do pedido de extradição formalizado pelo Brasil e da inclusão de Ramagem na lista vermelha da Interpol por determinação de Moraes. Diante do constrangimento, o ministro do STF cobrou esclarecimentos e a PF agendou para esta quinta-feira, 16 de abril, uma reunião com representantes do ICE para questionar os critérios usados na soltura.
O caso expõe mais uma vez as dificuldades enfrentadas por Moraes em suas tentativas de levar adiante condenações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto o ministro insiste em perseguir Ramagem mesmo com o ex-deputado já fora do Brasil há meses, as autoridades americanas demonstraram pouca disposição em manter a prisão por tempo indeterminado, priorizando questões migratórias sobre o pedido brasileiro. Ramagem segue foragido da Justiça do Brasil, mas livre nos Estados Unidos, o que representa um novo revés para as investidas judiciais do Supremo. O desenrolar da reunião entre PF e ICE deve definir os próximos passos do caso.
Foto: STF