Professor de Universidade federal diz que o salário mínimo é suficiente e dá para comer picanha

Publicado em: 17/04/2026 11:02
A declaração de um professor de finanças de universidade federal, defendendo que o novo salário mínimo de R$ 1.717 “dá e sobra” para sustentar uma família, gerou revolta e incredulidade. Segundo ele, um casal com filho conseguiria pagar aluguel, contas básicas, alimentação, transporte, farmácia, lazer e ainda terminar o mês com R$ 167 de sobra. No papel, a conta parece fechada. Na vida real, ela ignora completamente a realidade da maioria dos brasileiros.
A projeção apresentada inclui um aluguel de R$ 390, valor praticamente inexistente em grande parte das cidades brasileiras, além de custos subestimados em itens essenciais como alimentação, luz e transporte. A chamada “feira de R$ 500” para uma família inteira, por exemplo, já não condiz com os preços atuais em muitos estados. O mesmo vale para energia, internet e até gastos com saúde, que costuma

m ser imprevisíveis e, muitas vezes, bem mais altos do que o sugerido.
O problema não está apenas na matemática, mas na desconexão. Ao tratar o orçamento como uma planilha perfeita, sem variações, imprevistos ou inflação, o discurso acaba desconsiderando a realidade de quem vive com renda limitada. Não há espaço para emergências, educação, vestuário ou qualquer melhoria de vida. Viver passa a ser apenas sobreviver.
A fala também escancara uma crítica recorrente à academia: especialistas que dominam números, mas parecem distantes da rotina prática da população. Quando um professor afirma que “só não come picanha quem não quer”, a frase deixa de ser análise econômica e passa a soar como desprezo pela dificuldade de milhões.
O debate sobre salário mínimo não pode ser tratado como exercício teórico. Ele envolve dignidade, acesso básico e qualidade de vida. Reduzir isso a uma conta simplificada não só distorce a realidade como contribui para normalizar um padrão de vida cada vez mais apertado para quem já está no limite.

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