Corrupção nas urnas: o eleitor é vítima ou cúmplice?
Corrupção nas urnas: o eleitor é vítima ou cúmplice?
Por: Juvenil Coelho
Este é um dos questionamentos levantados em uma pesquisa quantitativa de abrangência nacional, conduzida por um instituto reconhecido pela credibilidade em sondagens de cunho social, especialmente no que se refere ao comportamento humano e à formação de opinião.
Entre os objetivos da investigação, segundo a direção do instituto, está compreender o pensamento do eleitor em um momento em que diversas pesquisas apontam a corrupção e a má gestão pública como alguns dos principais problemas do país.
Diante desse cenário, torna-se necessário e oportuno refletir se o eleitor continuará negligente no momento de fazer suas escolhas. Afinal, não é de hoje que nomes influentes, eleitos ou indicados, aparecem envolvidos em escândalos graves. As estatísticas não mentem, e os noticiários evidenciam diariamente a quantidade de parlamentares, juízes e outras autoridades envolvidas em irregularidades.
Assim, revela-se contraditório que o eleitor vote ou apoie candidatos envolvidos em práticas ilícitas, cujos efeitos impactam diretamente a saúde, a educação e a segurança pública. A presença desses agentes nos cargos públicos não é recente, e pouco se tem feito para conter essa realidade. Em grande medida, a responsabilidade recai sobre o próprio eleitor que, mesmo ciente da conduta duvidosa de determinados candidatos, insiste em escolhê-los para representá-lo.
Não é difícil encontrar, nos quatro cantos do Brasil, listas informais de possíveis candidatos envolvidos em irregularidades — listas que, provavelmente, chegam ao conhecimento de grande parte da população, sobretudo dos mais informados. Evidentemente, é preciso rigor na apuração para evitar injustiças, mas a verdade é que, mais cedo ou mais tarde, os fatos vêm à tona, e os responsáveis acabam respondendo por seus atos.
Como se não bastasse, a corrupção, já disseminada nos diversos níveis de poder, ganha ainda mais visibilidade nas redes sociais, alcançando inclusive as mais altas instâncias do Judiciário. Casos recentes expõem o envolvimento de parlamentares com o narcotráfico e, consequentemente, com a violência. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, dezenas de deputados estaduais já foram acusados de receber financiamento de facções criminosas.
Por fim, comenta-se nos bastidores que, mesmo entre os candidatos majoritários, há nomes que poderão surgir em denúncias futuras. Quem sabe essa pesquisa sirva como um instrumento de conscientização, ajudando o eleitor a tomar decisões mais responsáveis, com maior senso crítico e coragem para exigir transparência.
Até porque o conjunto de perguntas da pesquisa não se limita apenas a medir a indecisão do voto, mas busca compreender algo ainda mais profundo: as razões por trás das escolhas do eleitor.
O autor é jornalista, articulista e consultor político.
FINAJ nº 1344-RO.
