Confúcio a governo, Expedito Netto a deputado federal é o jogo da aliança PT, MDB e aliados de Lula
Fontes em Brasília indicam que Confúcio Moura pode ser o nome oficial apoiado pelo Planalto; Expedito Netto, lançado pelo PT estadual, teria espaço como candidato a deputado federal

- O PT de Rondônia lançou Expedito Netto como pré-candidato ao governo, mas bastidores de Brasília apontam Confúcio Moura como nome com apoio do Planalto
- Uma dobradinha com Acir Gurgacz ao Senado é cogitada, embora o ex-senador enfrente inelegibilidade pela Ficha Limpa até 2030
- A estratégia visa fortalecer o palanque de Lula em um estado de maioria conservadora, onde oito nomes já sinalizam interesse no governo
- Por que isso importa: a definição do nome oficial pode redesenhar alianças locais e influenciar a correlação de forças no Norte do Brasil em ano eleitoral nacional.
Fontes em Brasília ouvidas pelo Painel Político indicam que o senador Confúcio Moura deve ser o nome oficial apoiado pelo Partido dos Trabalhadores à sucessão do governo de Rondônia em 2026, em movimento que pode reposicionar o ex-deputado Expedito Netto, lançado pela legenda estadual em janeiro. A articulação, se confirmada, altera a correlação de forças em um estado estrategamente conservador e com oito pré-candidatos em disputa.
O lançamento de Expedito Netto e a estratégia estadual do PT
Em janeiro de 2026, o PT de Rondônia realizou ato em Porto Velho para oficializar a filiação de Expedito Netto e lançar sua pré-candidatura ao governo do estado. Na ocasião, dirigentes da Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PV e PCdoB — afirmaram que a decisão foi unânime e reforçaria o campo progressista local. Netto, secretário nacional da Pesca e ex-deputado federal, tem trajetória marcada por votações conservadoras no Congresso, incluindo apoio ao impeachment de Dilma Rousseff, o que gerou debates internos sobre sua adequação ao espectro petista.
“A vinda do ex-deputado e atual Secretário Nacional de Pesca para o quadro do Partido dos Trabalhadores reforça não apenas o PT, mas toda esquerda”, declarou na época Ernesto Ferreira, presidente estadual do partido.
Contudo, a dinâmica nacional da articulação eleitoral petista nem sempre espelha decisões estaduais. E é nesse intervalo que surgem as informações apuradas pelo Painel em Brasília.
Bastidores de Brasília: o nome do Planalto para Rondônia
Segundo fontes ligadas à coordenação da campanha nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Confúcio Moura seria o nome preferencial do Planalto para encabeçar a chapa majoritária em Rondônia. A relação de confiança entre Moura e Lula não é recente: o parlamentar tem sido vocal em defesa das políticas federais no estado e recebeu apoio para projetos de infraestrutura via emendas e programas do governo federal.
A estratégia prevê uma “dobradinha” com Acir Gurgacz ao Senado — nome histórico da esquerda rondoniense —, embora o ex-senador enfrente obstáculo jurídico: condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 2018, Gurgacz só poderá concorrer a cargos eletivos a partir de setembro de 2030, conforme a Lei da Ficha Limpa. A defesa de Gurgacz argumenta que sua condenação refere-se a crimes contra o sistema financeiro, não contra a administração pública, o que, em tese, poderia abrir brecha para elegibilidade — tese ainda não testada na Justiça Eleitoral.
Por que Confúcio Moura é visto como nome “ponte” em Rondônia
Confúcio Moura acumula vantagens que o tornam atraente para uma chapa de unidade: foi governador de Rondônia por dois mandatos com apoio do PT, construiu base no interior e mantém trânsito tanto com setores produtivos quanto com movimentos sociais. Além disso, sua capacidade de mobilização em momentos decisivos é conhecida: historicamente, Moura tende a definir suas candidaturas nos instantes finais do prazo legal, o que permite ao grupo aliado manter flexibilidade nas negociações.\
O senador também enfrenta desafios. A implantação de pedágios na BR-364, fruto de processo de concessão federal, gerou insatisfação popular e críticas de parlamentares de todas as bancadas. Em audiências públicas realizadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo DNIT, a ausência de parte da bancada federal, parlamentares estaduais e até governo de Rondônia foi cobrada — e hoje serve como munição para adversários.
“A privatização precisa ser debatida com transparência para garantir melhorias reais e preços justos para quem depende diariamente dessa estrada”, afirmam representantes do setor produtivo no Estado.
O cenário ampliado: quatro nomes na disputa e o peso do conservadorismo
Enquanto as articulações de bastidores avançam, o quadro oficial de pré-candidatos ao governo de Rondônia já conta com oito nomes, segundo levantamento da imprensa especializada:
- Adailton Fúria — prefeito de Cacoal, discurso de renovação e foco no interior
- Expedito Netto — ex-deputado, secretário nacional da Pesca
- Hildon Chaves — ex-prefeito de Porto Velho, oposição ao governador Marcos Rocha
- Marcos Rogério — senador, alinhado ao bolsonarismo, pressão para disputar o Senado novamente
Em um estado onde a direita concentra base eleitoral, a definição do nome oficial apoiado pelo Planalto pode funcionar como fator de aglutinação — ou de fragmentação, caso haja disputa interna não resolvida.
Além disso, a entrada de Confúcio na disputa, fortalece o palanque de Lula no Estado.
O que esperar nos próximos meses
O prazo legal para definição de candidaturas se encerra em agosto de 2026, com primeiro turno marcado para 4 de outubro. Até lá, é comum que articulações de bastidores se transformem em movimentos públicos. A entrada de Confúcio Moura como nome oficial apoiado pelo PT exigiria, naturalmente, realinhamento de forças: Expedito Netto poderia ser direcionado à disputa por uma das oito vagas de deputado federal — cenário que, segundo fontes, já é cogitado internamente.
Para o eleitor, a lição é clara: em Rondônia, como em outros estados, a disputa de 2026 será definida tanto nas urnas quanto nas mesas de negociação. E, neste jogo, o tempo é variável estratégica.
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