Funai inicia demarcação de terra indígena Kawahiva do Rio Pardo após quase 30 anos de espera

Medida vai dar maior segurança jurídica aos 411 mil hectares da área em Mato Grosso, local onde habitam grupos não contatados ameaçados por invasores no Arco do Desmatamento
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas iniciou a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada entre os estados de Mato Grosso e Amazonas, após um processo que se arrasta há cerca de três décadas.
Equipes do órgão já estão em campo para instalar marcos geodésicos que delimitam oficialmente o território, etapa considerada fundamental para garantir a proteção da área. A operação deve durar cerca de dois meses e ocorre em uma região de floresta densa.
A terra indígena possui aproximadamente 411 mil hectares e abriga um povo isolado, que vive sem contato com a sociedade envolvente. A demarcação é vista como essencial para assegurar a sobrevivência física e cultural desse grupo, historicamente ameaçado por invasões de grileiros e madeireiros.
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A presença dos indígenas Kawahiva foi confirmada no fim da década de 1990, mas o reconhecimento oficial do território só ocorreu anos depois, em 2016. Desde então, o processo de demarcação enfrentou entraves burocráticos, disputas judiciais e falta de recursos, o que atrasou a conclusão da medida.
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Indígenas kawahiva que vivem isolados em Mato Grosso (MT).
(Foto: Funai/Jair Candor)
Organizações indigenistas e órgãos de defesa de direitos humanos vinham alertando para o risco de extinção do grupo diante da demora. Relatórios apontam que os Kawahiva vivem em constante deslocamento dentro da floresta, muitas vezes fugindo da presença de invasores em seu território.
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Foto: Arquivo Pessoal
A demarcação física é uma das etapas finais do processo de regularização fundiária e deve reforçar a proteção da área, impedindo a entrada de não indígenas e reduzindo pressões ilegais sobre o território.
A medida é considerada um avanço na política de proteção a povos isolados no Brasil, especialmente em uma região marcada por conflitos fundiários e desmatamento crescente.




