Marcos Rocha termina o governo sitiado pelo próprio fracasso

Marcos Rocha termina o governo sitiado pelo próprio fracasso
Por Fábio Vidotti
Marcos Rocha talvez esteja vivendo hoje o pior tipo de derrota que um político pode sofrer: a derrota moral da própria narrativa.
Porque governos não acabam apenas quando termina o mandato. Alguns acabam antes. Morrem politicamente. Perdem força, autoridade e respeito. E é exatamente essa sensação que paira sobre Rondônia.
O governador que chegou prometendo ordem termina cercado por desorganização política. O homem que vendeu firmeza administrativa termina afundado em crises internas. O líder que prometia moralidade vê o próprio governo ser consumido por suspeitas, disputas palacianas e desgaste público.
O problema de Marcos Rocha nunca foi apenas administrativo.
Foi político.
Rocha governou Rondônia como quem acreditava que propaganda substitui resultado. Durante anos, o governo vendeu vídeos bonitos, campanhas institucionais milionárias e discursos ensaiados enquanto a realidade da população continuava batendo na porta dos hospitais, das estradas destruídas e da insegurança pública.
O HEURO virou quase um retrato simbólico do governo: promessa grandiosa, propaganda intensa e entrega distante da realidade prometida.
E enquanto Rondônia esperava resultados concretos, o núcleo político do governo parecia cada vez mais preocupado com guerra interna, controle de poder e sobrevivência política.
Foi aí que o governo começou a apodrecer por dentro.
A ascensão de Júnior Gonçalves dentro do Palácio Rio Madeira transformou a estrutura do governo em algo perigosamente concentrado. Secretários, deputados e aliados passaram anos descrevendo os bastidores do governo como um ambiente dominado por um pequeno grupo político que acumulava influência, controle administrativo e poder de articulação.
O problema é que governos excessivamente fechados costumam implodir do mesmo jeito: pela arrogância.
E foi exatamente isso que aconteceu.
A crise entre Marcos Rocha, Sérgio Gonçalves e Júnior Gonçalves não foi apenas um rompimento político. Foi a destruição pública da própria base de sustentação do governo.
O que antes era tratado como grupo unido virou disputa por espaço, exonerações, isolamento político e uma guerra silenciosa pelo controle do futuro de Rondônia.
O governo começou a parecer menos uma gestão pública e mais uma disputa permanente de bastidores.
E enquanto o palácio pegava fogo internamente, Rondônia assistia.
Assistia hospitais continuando sob pressão.
Assistia promessas envelhecendo.
Assistia escândalos ocupando mais espaço que entregas.
Assistia o discurso moralista do início do mandato desmoronar diante das suspeitas, denúncias e questionamentos envolvendo contratos e relações políticas internas.
O mais simbólico é que Marcos Rocha chegou ao ponto de praticamente abandonar o sonho do Senado por não confiar no próprio vice-governador.
Isso talvez nunca tenha acontecido de forma tão humilhante na história política recente de Rondônia.
Um governador reeleito, com a máquina do estado na mão, desistindo do Senado porque o inimigo passou a morar dentro do próprio governo.
Isso não é força política.
Isso é colapso interno.
E talvez a história seja ainda mais cruel porque Marcos Rocha teve todas as condições para construir um grande legado. Tinha apoio político, tinha discurso alinhado nacionalmente, tinha estrutura administrativa e tinha tempo.
Mas terminou consumido pelo mesmo sistema de poder que prometeu combater.
Hoje, o governo Marcos Rocha parece um projeto cansado, isolado e sem alma política. Um governo que perdeu conexão com a rua, perdeu capacidade de empolgar e perdeu autoridade até dentro do próprio grupo.
No fim, talvez Rondônia olhe para trás e perceba que o maior problema não foi apenas aquilo que Marcos Rocha deixou de fazer.
Foi aquilo que ele prometeu representar.
Porque o governador que chegou vendendo esperança termina o mandato deixando apenas desgaste, divisão e um enorme sentimento de decepção política.
E essa, talvez, seja a pior herança que um governante pode deixar.
