Dissidentes das Farc e facções brasileiras atuam juntos em crimes na Amazônia
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As Forças Armadas da Colômbia confirmaram a atuação conjunta entre dissidentes das Farc e facções criminosas brasileiras na região amazônica. A informação foi divulgada na sexta-feira (8), durante ações da Operação Ágata, realizada na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, com apoio das forças de segurança dos três países.
Em entrevista ao g1, o coronel colombiano Rodriguez Contreras Carlos afirmou que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantêm alianças com grupos guerrilheiros para controlar o tráfico de drogas e crimes ambientais na fronteira.
Segundo o militar, a parceria envolve principalmente os chamados “Comandos de Fronteira” e a frente “Carolina Ramírez”, formada por dissidentes das Farc que não aderiram ao acordo de paz firmado em 2016.
O coronel destacou que a atuação conjunta tem ampliado a devastação ambiental na Amazônia, especialmente por meio do garimpo ilegal e da extração clandestina de madeira, atividades que financiam os grupos armados.
Para enfrentar essas organizações, Brasil, Colômbia e Peru intensificaram o compartilhamento de tecnologia, inteligência e efetivos militares. O chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, almirante Paulo César Bittencourt Ferreira, afirmou ao g1 que as forças de segurança precisam se atualizar constantemente diante do avanço tecnológico das facções criminosas.
Facções ampliam atuação na Amazônia
Dados do estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que facções como CV e PCC passaram a usar crimes ambientais como fonte estratégica de financiamento, lavagem de dinheiro e controle territorial.
O levantamento aponta que o Rio Solimões e seus afluentes têm sido utilizados como rotas para o transporte de produtos ligados a crimes ambientais. Pesquisadores também identificaram uma mudança no perfil da criminalidade na região, que deixou de focar apenas nas rotas do narcotráfico e passou a explorar de forma crescente os recursos naturais da Amazônia.
As investigações indicam ainda que o tráfico de drogas está diretamente ligado a atividades ilegais como garimpo e extração de madeira, utilizadas tanto para gerar lucro quanto para ocultar recursos financeiros das organizações criminosas.


