Indicado por Bolsonaro, Kassio assume TSE com o desafio de mostrar a segurança das urnas eletrônicas

Publicado em: 10/05/2026 16:55
Kassio Nunes Marques, ministro do STF. Foto: reprodução

O ministro Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (12) com foco na segurança das urnas eletrônicas e na resposta a possíveis questionamentos sobre a lisura das eleições de 2026. Ele sucederá Cármen Lúcia e comandará a Corte no pleito presidencial, em meio à possibilidade de nova ofensiva contra o sistema eleitoral. As informações são da Folha de S. Paulo. 

O ministro avalia, segundo pessoas próximas, que ataques à confiabilidade das urnas podem voltar ao debate eleitoral. O tema foi usado em campanhas de desinformação nos últimos anos por aliados de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela indicação de Kassio ao Supremo Tribunal Federal (STF). As urnas eletrônicas são usadas no Brasil desde 1996 e nunca houve registro de fraude.

Como forma de prevenção, Kassio pediu aos presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais um pente-fino nas urnas que serão usadas nas próximas eleições. Ele também deve conduzir um teste público dos equipamentos entre quarta-feira (13) e sexta-feira (15), logo após tomar posse. A medida integra a tentativa de ampliar a segurança dos equipamentos e da transmissão dos votos.

O novo presidente do TSE também busca firmar convênios na área de cibersegurança com empresas e universidades, além de reunir dados sobre eventuais problemas nas urnas, idade dos equipamentos, quantidade disponível em cada zona eleitoral, baterias e componentes. Presidentes de TREs relatam preocupação com urnas antigas, já que algumas em uso são de 2013 e estarão acima do tempo ideal de utilização.

Pessoa votando em urna eletrônica. Foto: reprodução

Outra frente de preocupação é o uso de inteligência artificial nas eleições, especialmente deepfakes, que são vídeos, áudios ou imagens manipuladas para simular pessoas ou situações reais. Embora esse tipo de conteúdo seja proibido para candidatos, Kassio avalia que identificar manipulações será um desafio no pleito e aposta em parcerias com universidades para apoiar a Polícia Federal na perícia de materiais suspeitos.

Na condução política do TSE, Kassio tem dito a aliados que pretende adotar uma postura menos intervencionista do que a de Alexandre de Moraes na eleição de 2022. A preferência, segundo a avaliação interna do ministro, deve ser pelo direito de resposta em vez da remoção de conteúdos, embora ele afirme que a Corte seguirá vigilante contra excessos. O TSE terá André Mendonça como vice-presidente e, até as vésperas do primeiro turno, Antonio Carlos Ferreira como corregedor-geral.

Compartilhar

Faça um comentário