PF INVESTIGA ELO ENTRE HUGO MOTTA E EX-DONO DO BANCO MASTER EM EMENDA DO MERCADO DE CARBONO.
Publicado em: 12/05/2026 16:43
Operação Compliance Zero apura possível influência do Banco Master sobre propostas legislativas ligadas ao mercado de carbono e ao sistema financeiro
A Polícia Federal investiga a possível influência do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre parlamentares do Congresso Nacional na elaboração de propostas legislativas que poderiam beneficiar interesses do grupo financeiro. Entre os casos analisados está uma emenda apresentada pelo deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados, durante a tramitação do projeto que regulamentou o mercado de carbono no Brasil.
A proposta previa a obrigatoriedade de investimentos em créditos de carbono ou fundos relacionados por entidades como fundos de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras. Segundo investigadores, há indícios de que minutas do texto tenham sido produzidas por integrantes ligados ao Banco Master.
O caso integra a Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também apura a atuação de outros parlamentares. Entre eles está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de ter apresentado uma proposta apelidada de “Emenda Master”, relacionada à ampliação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), cujo conteúdo teria sido elaborado pelo próprio banco.
De acordo com a investigação, a Polícia Federal busca identificar se houve articulação coordenada para influenciar projetos de lei estratégicos ligados ao setor financeiro, crédito de carbono e transição energética. Os investigadores avaliam se houve uso indevido da atividade parlamentar para favorecer interesses privados.
Hugo Motta negou qualquer irregularidade e afirmou que a emenda foi construída dentro de um acordo partidário e tinha como objetivo estimular investimentos sustentáveis. O parlamentar declarou ainda que “o ato de legislar não é crime”.
As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há condenações relacionadas ao caso.
Foto: Agência Brasil