Zema diz que Novo foi “traído” após Flávio Bolsonaro confessar encontro com Vorcaro

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, voltou a elevar o tom contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última terça-feira (19) ao comentar a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O empresário, supostamente ex-bolsonarista, afirmou que o Partido Novo foi “traído” pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro.
A declaração ocorreu em Blumenau, em Santa Catarina, depois de Flávio admitir que se reuniu com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, no fim de 2025. O senador afirmou que o encontro teve como objetivo “botar um ponto final na questão” do financiamento de “Dark Horse”.
“Ninguém do Novo foi avisado que ele tinha contato com Vorcaro. Todos nós do Novo supúnhamos que isso não existia. Se alguém foi traído nessa história, foi o Partido Novo”, disse Zema em entrevista coletiva.
Em outro momento, o ex-governador ressaltou que mora na mesma cidade de Vorcaro, mas que nunca teve o mínimo contato com o banqueiro.
“Foi dito para nós do partido Novo, que nos alinhamos ao PL no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em Goiás, que o pré-candidato à presidência do PL não tinha nenhum contato ou tipo de relacionamento com o banqueiro bandido. E nós fomos surpreendidos, e quando você é surpreendido dessa maneira, você fica indignado e essa foi minha reação”, afirmou.
A fala marcou uma nova mudança no discurso do pré-candidato do Novo. No sábado, Zema havia dito que o episódio era “página virada”. Agora, voltou a tratar o caso como um problema político direto para Flávio e para a articulação da direita em torno da eleição presidencial.
Antes da crise, Zema defendia que os candidatos da direita estivessem unidos em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele também foi questionado em diferentes ocasiões sobre a possibilidade de ser vice em uma chapa com Flávio, mas sempre afirmou que manteria sua pré-candidatura até o fim.
O ex-governador chegou a brincar nas redes sociais e em entrevistas dizendo que ele próprio havia convidado Flávio para ser seu vice. A relação, porém, mudou depois da divulgação das conversas entre o senador e Vorcaro, na quarta-feira (13). Na ocasião, Zema classificou como “imperdoável” ouvir Flávio pedindo dinheiro ao banqueiro. O senador respondeu dizendo que o pré-candidato do Novo havia se precipitado.
O filme “Dark Horse”, termo em inglês para “azarão”, entrou no centro da crise após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Vorcaro. Flávio já admitiu ter intermediado negociações e cobrado pagamentos do banqueiro, que teria repassado cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.
Na coletiva, Zema também foi questionado sobre eventual relação com Vorcaro e negou qualquer vínculo com o banqueiro. “Eu moro em Belo Horizonte, a mesma cidade que esse bandido banqueiro mora. Eu nunca o encontrei, nunca tive uma reunião com ele, morando na mesma cidade, no mesmo estado… não é entranho? Não tenho ele na minha agenda telefônica, ele nunca me procurou”, afirmou.
Em seguida, o ex-governador associou a ausência de contato à sua conduta pública. “Me parece que assombração sabe pra quem aparecer, e pra mim não apareceu, porque a minha postura sempre foi de combater a corrupção, de não aceitar nada ilegal. Nunca tive, como governador, durante os 7 anos inteiros como governador, uma proposta indecorosa de ninguém”.
