ANDRÉ MENDONÇA DECRETA PRISÃO DE 16 INVESTIGADOS NA OPERAÇÃO SEM DESCONTO POR FRAUDES NO INSS.

Publicado em: 27/05/2026 11:28

ANDRÉ MENDONÇA DECRETA PRISÃO DE 16 INVESTIGADOS NA OPERAÇÃO SEM DESCONTO POR FRAUDES NO INSS.

PF amplia ofensiva contra fraudes bilionárias no INSS e prende 16 investigados na Operação Sem Desconto

Brasília, 27 de maio de 2026 – A Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), segue avançando nas investigações da Operação Sem Desconto, considerada uma das maiores ações de combate a fraudes previdenciárias já realizadas no país. O esquema investigado envolve descontos associativos indevidos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), muitas vezes sem qualquer autorização dos beneficiários.
Segundo as investigações, associações e entidades realizavam cobranças mensais diretamente na folha de pagamento do INSS utilizando assinaturas falsas, cadastros irregulares e inclusão indevida de dados em sistemas oficiais. A prática teria causado prejuízos bilionários, atingindo principalmente idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social em diversas regiões do Brasil.
As autoridades apuram crimes como estelionato previdenciário, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF estima que milhões de benefícios previdenciários possam ter sido afetados ao longo dos últimos anos, transformando o caso em um dos mais graves episódios de lesão financeira contra aposentados da história recente do país.
STF acompanha o caso e autoriza novas medidas
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atua como relator do processo e vem sendo responsável pelas principais decisões judiciais relacionadas à operação. Em dezembro de 2025, o magistrado determinou o fim do sigilo de uma nova etapa das investigações e autorizou a prisão preventiva de 16 suspeitos, além da aplicação de monitoramento eletrônico em outros investigados.
As medidas foram tomadas após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou riscos de fuga, destruição de provas e continuidade das atividades criminosas. Também foram expedidos mandados de busca e apreensão em diversos estados brasileiros.
Já em março de 2026, uma nova fase da Operação Sem Desconto teve foco no Ceará e no Distrito Federal. A ação incluiu novas prisões, apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, além da instalação de tornozeleira eletrônica em uma deputada federal investigada no esquema.
Delações premiadas e apreensão de bens milionários
As investigações avançaram após a homologação de acordos de delação premiada autorizados pelo ministro André Mendonça. Os depoimentos contribuíram para identificar operadores financeiros, intermediários e possíveis conexões políticas ligadas ao esquema.
Outro ponto de destaque da operação foi a apreensão de bens de luxo adquiridos com recursos supostamente desviados. Entre os itens confiscados estão veículos de alto padrão, imóveis, joias e embarcações avaliadas em milhões de reais. Parte desses bens já foi autorizada para leilão judicial, com o objetivo de ressarcir os danos causados aos aposentados prejudicados.
Como funcionava o esquema investigado
De acordo com a PF e a CGU, o esquema funcionava por meio da filiação irregular de aposentados e pensionistas a associações que ofereciam supostos benefícios, como assistência jurídica, descontos em farmácias ou serviços médicos. Em muitos casos, as vítimas afirmam nunca terem autorizado qualquer vínculo com as entidades.
Os descontos eram realizados automaticamente nos pagamentos mensais do INSS, dificultando a identificação imediata das cobranças indevidas. Diversos aposentados relataram que só perceberam os débitos após meses ou anos, acumulando perdas significativas em suas rendas.
As autoridades também investigam a possível participação de servidores públicos, advogados, empresários e representantes de entidades associativas responsáveis pela operacionalização das fraudes.
INSS promete devolução dos valores descontados
Diante da repercussão do caso, o INSS informou que vem adotando medidas para identificar descontos irregulares e garantir a devolução dos valores cobrados indevidamente dos beneficiários. O órgão também anunciou o reforço em mecanismos de fiscalização e validação de autorizações para descontos associativos.
Especialistas em direito previdenciário alertam que aposentados devem acompanhar regularmente seus extratos de pagamento e denunciar cobranças desconhecidas. A recomendação é consultar o aplicativo Meu INSS ou buscar atendimento presencial para verificar possíveis descontos não autorizados.
Investigações continuam
A Operação Sem Desconto segue em andamento e novas fases não estão descartadas. A Polícia Federal reforçou que parte das investigações permanece sob sigilo para preservar diligências futuras e aprofundar a identificação de envolvidos.
Com dezenas de mandados já cumpridos em diferentes unidades da federação, a operação se consolida como uma das principais ações de combate à corrupção e às fraudes previdenciárias dos últimos anos, evidenciando a dimensão do impacto causado sobre milhões de aposentados e pensionistas brasileiros.
Foto: PF

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