POLÍCIA FEDERAL VOLTA A NEGOCIAR DELAÇÃO COM DANIEL VORCARO; ANDRÉ MENDONÇA É INFORMADO.

Publicado em: 29/05/2026 09:04

PF retoma negociações de delação com Daniel Vorcaro e amplia pressão no caso Banco Master

A Polícia Federal retomou as negociações para um possível acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro nacional. A retomada das conversas já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte.
O movimento representa uma mudança significativa no cenário das investigações. Há cerca de uma semana, a PF havia rejeitado a primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro, sob a avaliação de que os elementos oferecidos eram considerados inconsistentes, insuficientes ou incapazes de avançar de maneira concreta sobre os principais alvos da investigação.
Na ocasião, a negativa gerou forte impacto na estratégia da defesa. O banqueiro acabou transferido para uma cela comum após mudanças em sua situação prisional, enquanto um dos advogados responsáveis pelo caso deixou oficialmente a equipe jurídica. Nos bastidores, interlocutores ligados às investigações afirmam que o episódio aumentou a pressão sobre Vorcaro para apresentar uma proposta mais robusta às autoridades.
Agora, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (28), novas tratativas foram iniciadas após ajustes considerados relevantes na possível colaboração. Entre os pontos discutidos estaria o aumento expressivo dos valores envolvidos em eventual reparação financeira. Em negociações anteriores, a cifra discutida teria saltado de aproximadamente R$ 40 bilhões para cerca de R$ 60 bilhões, embora os números ainda estejam sob análise e não haja definição formal.
Além da Polícia Federal, integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) também acompanham as conversas. A avaliação dentro dos órgãos de investigação é que uma eventual delação de Vorcaro poderia abrir novas frentes de apuração envolvendo operadores financeiros, executivos do mercado, agentes públicos e estruturas utilizadas para ocultação de patrimônio e movimentações suspeitas.
Daniel Vorcaro segue preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Por determinação do ministro André Mendonça, ele permanece em sala de Estado-Maior enquanto as investigações continuam. O magistrado vem sendo constantemente informado sobre os desdobramentos do caso, especialmente diante da possibilidade de homologação futura de um acordo de colaboração.
A Operação Compliance Zero é considerada uma das maiores investigações recentes envolvendo o sistema financeiro brasileiro. As apurações miram suspeitas de manipulação contábil, lavagem de dinheiro, fraudes bancárias, evasão de divisas e utilização de estruturas financeiras complexas para ocultar operações irregulares.
Fontes ligadas à investigação afirmam que, apesar da retomada das conversas, ainda não existe acordo fechado entre as partes. A tendência, segundo investigadores, é que as negociações avancem de forma cautelosa nos próximos dias, especialmente diante da necessidade de validação das informações apresentadas por Vorcaro e da comprovação documental dos fatos que eventualmente venham a ser relatados.
A possível colaboração do banqueiro é tratada internamente como estratégica por investigadores, sobretudo pelo potencial de atingir personagens relevantes do mercado financeiro e operadores ligados a estruturas consideradas sensíveis dentro do esquema investigado.
O caso ganhou grande repercussão nacional após a prisão de Vorcaro e o avanço das investigações sobre o Banco Master. Desde então, o processo passou a ser acompanhado de perto por autoridades do Judiciário, do mercado financeiro e do meio político.
As informações sobre a retomada das negociações foram divulgadas por veículos como Folha de S.Paulo, Estadão, CNN Brasil e SBT News. Até o momento, nem a defesa de Daniel Vorcaro, nem a Polícia Federal ou a Procuradoria-Geral da República divulgaram detalhes oficiais sobre os novos termos em discussão.
Foto: Divulgação

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