Ele matou 39 pessoas em quatro anos sem que ninguém descobrisse quem era

Publicado em: 01/06/2026 10:33
Tiago Henrique Gomes da Rocha nasceu em 4 de fevereiro de 1988, em Goiânia, Goiás. Cresceu na cidade, levou uma vida comum e virou vigilante — trabalhou em pelo menos três empresas de segurança terceirizada na capital goiana. Ninguém desconfiava de nada.
Por baixo dessa rotina, carregava o que ele mesmo descreveu como uma “fúria interior contra tudo”. Segundo a polícia, essa raiva só se acalmava quando ele cometia os assassinatos.
O primeiro crime documentado aconteceu em 2011, quando ele matou Diego Martin Mendes, de 16 anos. As duas vítimas seguintes também eram homens descritos por Tiago como homossexuais. Depois, passou a atacar prostitutas e moradores de rua.
De janeiro a agosto de 2014, ele matou 16 pessoas, sendo 15 mulheres com idades entre 13 e 28 anos, e um homem de 51. O método nunca mudava: ele se aproximava de moto, gritava “assalto” e atirava. Mas nunca levava nada.
Durante anos, ninguém sabia que havia um serial killer agindo na cidade. Foi a jornalista investigativa Rosana Melo quem identificou o padrão. Ela frequentava regularmente a Delegacia de Homicídios para coletar dados e percebeu coincidências entre os assassinatos de mulheres. Ao publicar suas suspeitas, pressionou a polícia a investigar a hipótese de um assassino em série.
O caso de Janaína foi crucial para avançar na investigação. Um funcionário do bar onde ela foi morta anotou a placa da moto usada no crime. A placa tinha registro de furto em um supermercado de Goiânia — e as câmeras do local gravaram Tiago sem capacete, com o rosto visível.
Com a morte de Ana Lídia Gomes, de 14 anos, baleada em um ponto de ônibus no dia 2 de agosto de 2014, as investigações foram intensificadas. Uma força-tarefa foi montada: 200 pessoas foram ouvidas, 576 placas de veículos suspeitos analisadas, 50 mil fotos de infrações de trânsito investigadas e mais de 300 horas de câmeras de segurança revisadas.
No dia 14 de outubro de 2014, justamente quando a polícia dobrou o efetivo da força-tarefa, Tiago foi avistado de moto na Avenida Castelo Branco. Os agentes o pararam — e perceberam que estavam diante do serial killer que procuravam.
Na delegacia, o que ele confessou foi maior do que qualquer um esperava. Durante os interrogatórios, Tiago não chamava suas vítimas pelo nome — as descrevia friamente por números: “vítima número 1”, “número 2″… até o 39. Os policiais ficaram chocados com a frieza absoluta do homem.
A polícia ainda descobriu que Tiago teria matado duas pessoas por dinheiro: um comerciante por R$ 1.000 e uma funcionária pública por R$ 3.000.
Dois dias após a prisão, ele tentou se matar cortando os pulsos com o vidro de uma lâmpada quebrada. Foi socorrido e os ferimentos foram considerados de pouca gravidade.
O laudo psiquiátrico concluiu que Tiago apresentava Transtorno de Personalidade Antissocial, mas que tinha plena capacidade de entender que seus atos eram criminosos — o que o tornava totalmente responsável perante a lei.
Condenado a mais de 640 anos de prisão, Tiago cumpre pena em regime fechado no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, em cela isolada. Como os crimes ocorreram antes da mudança na lei que aumentou o limite máximo para 40 anos, ele está sujeito ao teto anterior de 30 anos — com possibilidade de sair em 2044.

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