PF aponta que 88% dos presos em operações tem ligação direta com facções
Um relatório da Polícia Federal, obtido pela GloboNews por meio da Lei de Acesso à Informação, revelou que 88% dos criminosos presos em operações realizadas entre janeiro de 2022 e maio de 2026 possuíam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou com o Comando Vermelho (CV), consideradas as duas maiores facções criminosas do Brasil.
Os dados mostram que cerca de 81% das investigações que resultaram em prisões estavam relacionadas ao tráfico de drogas. Também foram apurados crimes ambientais, delitos financeiros e atividades de garimpo ilegal.
Segundo o levantamento, quase 2 mil integrantes de facções criminosas foram presos no período analisado. Além disso, 58% dos crimes identificados tinham atuação interestadual, indicando a expansão dessas organizações para além de seus estados de origem. O PCC surgiu em São Paulo, enquanto o Comando Vermelho teve origem no Rio de Janeiro.
O relatório também destaca a importância da integração entre as forças de segurança. De acordo com a Polícia Federal, 72% das prisões ocorreram graças à cooperação entre diferentes órgãos, incluindo as Polícias Rodoviárias Federais e as Polícias Militares.
Diante desse cenário, especialistas defendem o avanço da PEC da Segurança Pública, atualmente em discussão no Senado Federal. A proposta busca fortalecer a cooperação entre os órgãos responsáveis pelo combate ao crime organizado em todo o país

Nesta sexta-feira, 5 de junho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram oficialmente categorizados pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Essa resolução intensifica as penalidades já impostas pelo governo americano e fortalece a repressão às operações globais dessas facções.
A formalização, conduzida pelo Departamento de Estado dos EUA, alinha-se à iniciativa da gestão do presidente Donald Trump de confrontar grupos criminosos transnacionais envolvidos com narcotráfico e outras práticas ilegais. No final de maio, PCC e CV já haviam sido classificados como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), o que permitiu o congelamento de ativos sob jurisdição americana e a restrição de transações financeiras ligadas a membros ou apoiadores.
Com a efetivação da designação como FTO, as autoridades norte-americanas agora possuem ferramentas legais mais abrangentes para conduzir investigações, instaurar processos criminais e colaborar internacionalmente. Essa classificação é aplicada a organizações estrangeiras vistas como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
