Apesar dos alertas, bets dobram faturamento e movimentam R$ 12 bi em quatro meses

O mercado de apostas esportivas e cassinos online segue em expansão no Brasil. Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação de impostos das empresas licenciadas saltou de R$ 2,2 bilhões nos quatro primeiros meses de 2025 para R$ 4,5 bilhões no mesmo período de 2026. O crescimento ocorreu mesmo após restrições impostas pelo governo e pelo Judiciário para determinados grupos de apostadores segundo apuração da Folha.
Considerando que a carga tributária representa cerca de 37% da receita das empresas, o setor movimentou aproximadamente R$ 12,2 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano. Em todo o ano de 2025, o faturamento das bets alcançou R$ 36,9 bilhões. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a expectativa é de um novo avanço nas receitas do segmento.
Segundo o Ministério da Fazenda, 25 milhões de CPFs realizaram apostas ao longo de 2025. O número era de 17 milhões no primeiro semestre daquele ano. Atualmente, 85 licenças foram concedidas pelo governo federal, permitindo a operação de 187 sites de apostas no país. A liderança do mercado pertence à Betano, seguida por Bet365, Superbet, SportingBet e Esportes da Sorte.
“É um setor que está se consolidando”, afirmou Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A consultoria H2 Gambling Capital projeta que a Copa do Mundo poderá gerar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em novos depósitos para apostas esportivas durante o torneio.

A expansão do setor, porém, ocorre em meio a debates sobre dependência, endividamento e saúde mental. Levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que 4,4% dos apostadores enfrentam situação classificada como “jogo problemático”, índice superior à média global. Entidades do comércio também relacionam o crescimento das apostas ao aumento do endividamento das famílias brasileiras.
Outro desafio apontado pelas empresas é a concorrência das plataformas clandestinas. Estudos citados pelo setor estimam que as operações ilegais possam representar entre 41% e 51% do mercado nacional. As empresas licenciadas defendem maior fiscalização e argumentam que os operadores irregulares atuam sem pagar impostos, sem cumprir regras de publicidade e sem mecanismos de proteção aos apostadores.
