Climatempo alerta para impactos em setores estratégicos da economia brasileira com a confirmação do El Niño

A confirmação da formação do fenômeno El Niño reforça o alerta para seus impactos sobre o clima no Brasil. De acordo com a Climatempo, a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e de previsão do tempo do Brasil e da América Latina, o evento deve ganhar influência mais evidente sobre o Brasil durante a primavera e o verão, trazendo o alerta de previsão de chuvas acima da média na região Sul, de maior risco de estiagem em áreas do Norte e do Nordeste, de calor persistente no Centro-Oeste e no Sudeste e de aumento da variabilidade climática em regiões produtoras e nos centros urbanos.
“A confirmação do El Niño muda o patamar de atenção para as empresas, governos e sociedade, já que não se trata apenas de acompanhar se vai chover mais ou menos ou fazer calor, mas de entender como a redistribuição das chuvas e o aumento das temperaturas podem afetar a vida das pessoas e cadeias produtivas inteiras”, afirma Patricia Madeira, CEO da Climatempo. Segundo ela, o monitoramento contínuo e a adoção sistemática de mecanismos de inteligência climática serão decisivos para reduzir perdas, antecipar riscos e apoiar decisões estratégicas.
Caracterizado pelo aquecimento acima do esperado das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica global e tende a modificar a distribuição das chuvas, intensificar episódios de calor e elevar o risco de ocorrência de eventos extremos em diferentes regiões do País.
No Sul, episódios de chuva volumosa e frequente podem aumentar o risco de enchentes, alagamentos, deslizamentos, interrupções logísticas e perdas em lavouras sensíveis ao excesso de umidade. No Norte e no Nordeste, a tendência é de redução das chuvas em parte das áreas, com possibilidade de estiagens mais prolongadas, queda na disponibilidade hídrica, pressão sobre reservatórios e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste e no Sudeste, o cenário exige atenção para ondas de calor, atraso ou irregularidade no retorno das chuvas e maior demanda por energia em períodos de temperatura elevada.
Os impactos por setor
Com a confirmação do El Niño, que na avaliação da Climatempo tende a ser forte para muito forte, com intensidade comparável ao fenômeno de 2023, os setores da economia devem redobrar o monitoramento em busca de dirimir os principais impactos.
No setor de energia, as temperaturas mais altas tendem a elevar o consumo de eletricidade, especialmente por conta do uso de aparelhos de refrigeração. Ao mesmo tempo, a irregularidade das chuvas pode afetar reservatórios e exigir planejamento mais cuidadoso do sistema elétrico. Há ainda o risco de atraso no início do período úmido no Sudeste e Centro-Oeste, regiões que concentram cerca de 70% da produção hidrelétrica.
Par o agronegócio, o excesso de chuvas no Sul pode dificultar a colheita, o plantio e o manejo contra pragas e infestações, enquanto a redução de umidade em áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste pode afetar culturas dependentes de chuva, elevar custos de irrigação e aumentar a volatilidade de preços de alimentos.
Na logística, transportes e infraestrutura, a preocupação é com as chuvas intensas, que podem comprometer rodovias, ferrovias, portos, áreas urbanas e operações de distribuição. Por outro lado, períodos secos aumentam riscos de poeira, queimadas e restrições operacionais. O risco de seca prolongada no Norte pode impactar a navegação e logística fluvial, especialmente o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus.
Nos setores de construção civil, mineração e indústria a escassez de água pode impactar processos produtivos, cronogramas de obras e custos operacionais. Já os temporais intensos elevam o risco de paralisações de operações e danos a estruturas.
O varejo, saúde e serviços deverá ser mais impactado pelas ondas de calor, que podem alterar padrões de consumo, aumentar a procura por climatização e hidratação, elevar riscos à saúde e exigir planos de contingência para trabalhadores e consumidores.
Em relação ao abastecimento de água e saneamento, as estiagens prolongadas previstas podem pressionar mananciais, reservatórios urbanos e sistemas de captação, exigindo gestão preventiva e campanhas de uso racional do insumo.
“A recomendação é que empresas e gestores públicos revisem planos de contingência, reforcem o acompanhamento de previsões de médio e longo prazo, avaliem vulnerabilidades regionais e integrem informações de inteligência climática às decisões operacionais”, afirma Pedro Regoto, Head de Operações da Climatempo. Ele alerta que a antecipação é essencial para proteger pessoas, ativos, produção, abastecimento e infraestrutura.
Regoto destaca que eventos extremos registrados no último El Niño de 2023 e 2024 não necessariamente vão se repetir, pois foram influenciados por outros fenômenos combinados e não apenas pelo El Niño. “O El Niño aumenta o potencial para eventos mais severos, mas não é possível adiantar com tanta antecedência, sendo necessário o acompanhamento das previsões no curto prazo”, finaliza.
Sobre a Climatempo
A Climatempo é a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo do Brasil e da América Latina, oferecendo soluções personalizadas para diversos setores da economia. Com tecnologia avançada e uma equipe de especialistas altamente qualificada, a empresa fornece previsões precisas e análises climáticas estratégicas para auxiliar na tomada de decisão em segmentos como energia, infraestrutura, agronegócio, setores públicos, entre outros. Para o público em geral, fornece informações sobre o clima por meio do seu website e aplicativos. Juntos, esses canais alcançam, em média, 20 milhões de usuários mensalmente.
Comprometida com a inovação, foi a primeira empresa privada a oferecer análises climáticas customizadas no mercado brasileiro e, em 2015, instalou o LABS Climatempo no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (SP), para atuar na pesquisa e no desenvolvimento de soluções para tempo severo, energias renováveis (eólica e solar), hidrologia, comercialização e geração de energia, navegação interior, oceanografia e cidades inteligentes.
Fundada em 1988, a Climatempo foi adquirida, em 2019, pela StormGeo, empresa líder global em serviços de inteligência meteorológica e suporte à decisão, sediada na Noruega, com presença em 26 países e 550 funcionários, e que, desde 2021, integra o grupo Alfa Laval, líder global no fornecimento de produtos nas áreas de transferência de calor, separação e manuseio de fluidos.
Via Mário César de Mauro

