Polilaminina: Anvisa autoriza uso em vítima de acidente no Paraná

Publicado em: 16/06/2026 20:40

Estrutura da polilaminina (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPT

A Anvisa liberou nesta terça-feira (16) o uso de polilaminina em uma jovem de 22 anos em Curitiba, no Paraná. Ana Beatriz Stubinski perdeu os movimentos das pernas após ser atingida por um galho que se desprendeu de uma árvore, na Praça Osório, no centro da capital paranaense.

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O caso aconteceu no último sábado (13) e causou uma fratura entre as vértebras T5 e T6, além de uma perfuração no pulmão. A família chegou a criar expectativas para a aplicação da polilaminina experimental no mesmo dia do incidente, mas precisou aguardar trâmites burocráticos do órgão, que avaliou se o caso estava apto ao uso da substância.

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O governador do Paraná Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) enviou um avião para buscar o medicamento no Rio de Janeiro. A previsão é de que a equipe retorne com a substância até a noite desta terça quando deverá ocorrer a aplicação imediata na paciente.

Familiares de Ana Beatriz estão esperançosos com relação ao resultado do experimento:

— A Ana vai ter mais uma chance na vida dela. (…) Vamos continuar orando pela Ana, porque agora é um milagre de Deus para ela voltar a andar, se reabilitar e voltar a ter a vida dela. Estou com o coração saindo pela boca — revelou ao canal RPC.

O pesquisador Mitter Mayer, coordenador do laboratório responsável pela produção da substância na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falou sobre as probabilidades:

— A Ana Beatriz vai ser avaliada pela nossa equipe, mas pela informação que recebemos ela teve uma lesão completa na medula. Quem tem uma lesão completa na medula, segundo a medicina e os históricos da ciência, tem a possibilidade de, no máximo, 9% de chance de voltar a ter algum movimento ou alguma sensibilidade — disse.

O especialista também falou sobre as situações mais indicadas para o uso da polilaminina.

— Quando você tem uma doença considerada incurável, uma doença que não tem perspectiva de tratamento, o médico entende que o paciente teria mais benefícios do que riscos nesses tratamentos [com a aplicação da polilaminina], e a gente solicita nesses casos excepcionais. São exclusivamente para doenças raras, doenças intratáveis — explicou.

A POLILAMININA
A pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ, descobriu acidentalmente a polilaminina ao tentar dissociar os componentes da laminina, uma proteína humana. Ao aplicar um solvente, as moléculas se uniram em laboratório, reproduzindo uma rede estrutural que ocorre naturalmente no organismo.

A pesquisa revelou que, no sistema nervoso, essas proteínas servem como base para o crescimento dos axônios, estruturas dos neurônios que transmitem sinais elétricos e químicos. Quando há fratura na medula, esses axônios se rompem, gerando paralisia corporal.

Como as células do sistema nervoso não se regeneram sozinhas, os testes buscam avaliar se a polilaminina pode atuar como uma nova plataforma de suporte. O objetivo é fazer com que os axônios voltem a crescer, restabelecendo a comunicação com o cérebro. A substância passa por testes desde 2016 até que seja totalmente aprovada para uso em tratamentos.

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