MENDONÇA AUTORIZA OPERAÇÃO DA PF CONTRA JAQUES WAGNER HORAS APÓS CHEFE DA CORPORAÇÃO DESEMBARCAR COM LULA

Após retorno da comitiva presidencial do G7, Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero que tem o líder do governo no Senado entre os alvos das investigações.
De acordo com reportagem publicada nesta quinta -feira (18/06/2026) na coluna de Igor Gadelha, no portal Metrópoles, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teria se reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até poucas horas antes do início da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no mesmo dia.
Segundo a publicação, Andrei Rodrigues acompanhou Lula durante a viagem oficial ao encontro do G7, realizado na França, além de compromissos em Genebra, na Suíça. A agenda conjunta entre presidente e o chefe da PF teria se estendido até o retorno ao Brasil.
Ainda conforme o relato, ambos teriam retornado no mesmo avião presidencial, que pousou em Brasília por volta das 4h30 da madrugada desta quinta-feira. Poucas horas depois da chegada, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em nova fase da operação.
Entre os alvos da ação estariam o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, com diligências realizadas em endereços de Brasília e da Bahia. A operação faz parte do desdobramento das investigações relacionadas ao caso Banco Master, envolvendo suspeitas de fraudes e lavagem de dinheiro.
A deflagração da fase da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações seguem sob sigilo e miram possíveis irregularidades financeiras atribuídas a investigados ligados ao caso.
Interlocutores da Polícia Federal ouvidos pela reportagem afirmam que, até aquele momento, o diretor-geral não teria tratado especificamente dessa fase da operação com o presidente Lula, já que o chefe do Executivo estaria em descanso após a viagem internacional.
A informação, segundo o Metrópoles, foi construída a partir de fontes ligadas à PF e da análise de agendas oficiais, e ganhou ampla repercussão nas redes sociais ao longo do dia.
Foto: STF
André Mendonça: “Há um sistema articulado. Eu não sou cego”
Ministro diz ter recebido “delação seletiva” da defesa de Daniel Vorcaro
Monique Mello

Nesta terça-feira (16), os ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) discutiram a manutenção da prisão de Henrique e Felipe, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a sessão, o ministro André Mendonça respondeu às críticas feitas por Gilmar Mendes e afirmou que não se presta a “trabalhos abjetos”.

A fala de Mendonça foi em referência ao que ele chamou de “delação seletiva”, ao revelar que recusou uma proposta da defesa de Vorcaro.
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– Chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Na minha cara. Eu disse: “Não faço questão de delação”. Agora, delação seletiva, comigo, não – afirmou o ministro.
– A defesa até apresentou uma primeira proposta de delação. Eu não quis acessar. Há uma perspectiva de que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Estou acompanhando e assistindo os movimentos – disse.
Mendonça respondeu ao ministro Gilmar Mendes, após este dizer de forma crítica que prisões não podem ser usadas para obter delações.
REFORÇO NA SEGURANÇA
Mendonça passou a contar com um esquema de segurança reforçado após assumir a relatoria do caso Master. A decisão foi tomada com base em avaliações internas da Corte que apontaram aumento do risco à integridade física do magistrado. Além desse processo, Mendonça também conduz a investigação sobre supostas fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS, outro tema de grande repercussão nacional.
Além de atuar no Supremo, Mendonça mantém atividades acadêmicas e religiosas, incluindo funções como professor, fundador de instituto jurídico e pastor. Em todos esses compromissos, ele passou a ser acompanhado por agentes designados pela Corte, inclusive servidores disfarçados em suas pregações.
