NOVO ESCÂNDALO: JAQUES WAGNER USOU FILHA COMO DESCULPA PARA OCULTAR APARTAMENTO DE PROPINA
Publicado em: 19/06/2026 10:32
Investigação da polícia federal aponta que imóvel de luxo avaliado em r$ 2,45 milhões teria sido usado como vantagem indevida e posteriormente atribuído à filha do senador
Salvador – A Polícia Federal aprofundou nesta quinta-feira (18) as investigações sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA), apontando indícios de que ele teria recebido um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões como suposta propina de executivos do Banco Master.
De acordo com documentos e mensagens obtidas pela PF na nova fase da Operação Compliance Zero, Wagner teria solicitado diretamente a Augusto Lima, ex-sócio do banco, os detalhes do imóvel no condomínio Poème Horto, em Salvador, incluindo a unidade 1702 e o valor exato da aquisição. A transação, ocorrida em novembro de 2024, teria sido estruturada por intermédio de empresas ligadas ao grupo financeiro para ocultar o real beneficiário, uma prática comum em esquemas de dissimulação de vantagens indevidas.
Meses depois, em maio de 2025, o senador teria encaminhado mensagens atribuídas a um “filho ou filha” cobrando informações sobre o proprietário formal do apartamento para iniciar reformas, o que gerou a versão pública de que o imóvel seria destinado à filha. A justificativa, porém, é vista pela investigação como tentativa de disfarçar a verdadeira natureza da operação.
Além do apartamento, a PF apura repasses financeiros de cerca de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à família de Wagner, a BN Financeira, controlada pela filha Bonnie, assim como outros benefícios como o uso frequente de jatos privados de empresários do setor. As suspeitas giram em torno de uma possível atuação parlamentar do senador em favor dos interesses do Banco Master em troca dessas vantagens.
Líder do governo Lula no Senado e uma das principais figuras do PT na Bahia, Jaques Wagner ainda não se manifestou publicamente sobre as revelações. Sua assessoria não respondeu aos pedidos de comentário das principais redações. Até o momento, o parlamentar não foi formalmente denunciado, mas o caso expõe mais uma vez as contradições entre o discurso público de combate à corrupção e as práticas privadas de um dos nomes mais influentes do partido no Congresso.
A Operação Compliance Zero, que já cumpriu buscas e apreensões hoje, segue em andamento. A Justiça e a opinião pública aguardam os próximos desdobramentos de um inquérito que, mais uma vez, coloca no centro das investigações o uso de influência política para obtenção de benefícios pessoais.