Ministério Público quer cerco a facções nas eleições de 2026 com exigência de certidões e análise patrimonial
Foto: Giuliano Gomes/PRPress
Medida ocorre após casos de suspeita de infiltração do crime organizado nas eleições, como candidaturas barradas por ligação com milícias no Rio, eleitos sob suspeita em SP e investigações sobre atuação do Comando Vermelho no Ceará
O Ministério Público Eleitoral intensificou o combate à influência do crime organizado nas eleições de 2026 e deu prazo de dez dias úteis para que partidos informem quais medidas estão adotando para barrar candidaturas ligadas a facções criminosas, milícias e outros grupos ilegais. A recomendação não impede registros de forma automática, mas busca identificar suspeitas com antecedência e responsabilizar legendas que ignorem sinais de vínculo com organizações criminosas.
A medida foi motivada por episódios recentes que acenderam o alerta da Justiça Eleitoral. No Ceará, por exemplo, a atuação do Comando Vermelho em Santa Quitéria resultou na cassação do prefeito reeleito José Braga Barroso e de seu vice, após investigações apontarem intimidação de eleitores e suspeita de compra de votos. Casos semelhantes também surgiram em Rio de Janeiro e São Paulo, com candidaturas barradas ou eleitos sob suspeita de ligação com grupos criminosos.
Na prática, o MP quer que os partidos adotem filtros antes mesmo das convenções partidárias, fase em que são escolhidos os candidatos. Entre as medidas sugeridas estão a exigência de certidões criminais em todas as instâncias da Justiça, análise de patrimônio e histórico social dos pré-candidatos, além da criação de comissões internas para apurar casos suspeitos.
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A orientação também recomenda que partidos impeçam a participação de filiados com envolvimento notório com facções nas convenções e deixem de encaminhar à Justiça Eleitoral nomes que apresentem indícios de ligação com o crime. Caso surjam suspeitas de financiamento ilícito ou submissão a ordens de organizações criminosas, os diretórios devem comunicar imediatamente o Ministério Público.
Segundo o MP Eleitoral, a preocupação vai além do financiamento irregular de campanhas. O objetivo é evitar que grupos criminosos usem candidaturas para ampliar controle territorial, pressionar eleitores, influenciar contratos públicos e ocupar estruturas do Estado, comprometendo a lisura do processo democrático.




