Como funciona a “governança” do CV em presídio no Rio

Mensagens interceptadas pela Polícia Civil indicam que a cúpula do Comando Vermelho presa no Complexo de Gericinó, no Rio, passou a orientar decisões da facção em outros estados. Um relatório da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro afirma que Arnaldo da Silva Dias, o Samurai, exercia de dentro da cadeia a função de mediador de conflitos regionais, descrita pelos investigadores como uma espécie de “diretor de governança corporativa”. Com informações de Extra.
Em uma conversa de fevereiro de 2025, um integrante do CV em Rondônia relatou a Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do tráfico do Complexo da Penha e foragido há mais de dez anos, agressões atribuídas a faccionados do PCC na Penitenciária Edvan Mariano Rosendo, em Porto Velho. “Os irmãos de Rondônia se encontram indignados com esses camaradas que não honram a palavra e querem uma solução”, escreveu. Doca respondeu: “Temos que colocar o Samurai na linha para resolver logo essas paradas”. Na semana seguinte, o criminoso de Rondônia disse que Samurai já havia “passado a visão”.
As conversas ocorreram pouco depois de uma trégua entre CV e PCC, que durou menos de três meses e terminou em abril de 2025 por causa de rixas em diferentes estados. Outros diálogos mostram Doca e Samurai tratando de impasses no Mato Grosso e de mudanças de telefone durante as negociações. Samurai, condenado a mais de 50 anos de prisão, deixou Gericinó em novembro do ano passado e passou a cumprir pena na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. A Secretaria de Polícia Penal afirmou que ele respondeu a processos disciplinares no período em que esteve preso no Rio, inclusive por posse ou uso de aparelho telefônico.
