Exército intensifica patrulhamento na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia após ameaças de homens armados

Operação conjunta com forças estaduais busca proteger comunidades Ashaninka na fronteira com o Peru; lideranças denunciaram presença de grupo armado na aldeia Apiwtxa entre os dias 5 e 6 de julho
O Exército Brasileiro intensificou as ações de patrulhamento e monitoramento na região da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, após lideranças indígenas denunciarem a presença de homens armados nas proximidades do território. A operação ocorre na faixa de fronteira entre o Acre e o Peru e reúne militares e forças estaduais de segurança.
O reforço foi desencadeado depois que representantes da Comunidade Apiwtxa comunicaram às autoridades a circulação de pessoas armadas nas imediações da terra indígena. De acordo com o relato do líder Ashaninka Francisco Piyãko, o grupo teria entrado no território nos dias 5 e 6 de julho, percorrendo a comunidade à procura de lideranças e intimidando moradores.
Em resposta, o Comando de Fronteira Juruá/61º Batalhão de Infantaria de Selva iniciou uma operação para ampliar a presença do Estado na região. As ações são executadas por militares do 1º Pelotão Especial de Fronteira de Marechal Thaumaturgo, que realizam patrulhamentos por terra e pelos rios, além de atividades de monitoramento e levantamento de informações sobre a área.
A operação também conta com a participação do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), no âmbito da Operação Ashaninka, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O trabalho conjunto concentra-se ao longo do Rio Amônia e em trechos da fronteira entre o município acreano e o território peruano. Equipes do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) também prestam apoio aéreo.
Segundo o Exército, o objetivo é ampliar a proteção das comunidades indígenas e fortalecer o combate a crimes praticados na faixa de fronteira, como tráfico de drogas, extração ilegal de madeira e garimpo clandestino. A presença das equipes também busca aumentar a capacidade de monitoramento e resposta diante de possíveis ameaças à população local.
O Comando de Fronteira Juruá/61º Batalhão de Infantaria de Selva iniciou uma operação para ampliar a presença do Estado na região. Foto: captada
A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, habitada pelo povo Ashaninka, é uma área homologada e reconhecida por sua gestão territorial e pela atuação das comunidades na proteção da floresta. A região, no entanto, vem sendo pressionada pelo avanço do crime organizado, que utiliza os rios da fronteira como rotas para o narcotráfico.
A liderança Francisco Piyãko destacou que a presença das forças de segurança transmite mais tranquilidade às famílias, mas defendeu uma ação estrutural do Estado.
“O Estado tem que ter uma ação estrutural, com planejamento, inteligência. Marcar presença na região de fronteira”, afirmou.
Em nota, o Comando de Fronteira Juruá informou que mantém vigilância permanente na região e que as operações continuarão em articulação com os demais órgãos de segurança para reforçar a proteção da fronteira e das comunidades que vivem na Amazônia Ocidental.
O objetivo é ampliar a proteção das comunidades indígenas e fortalecer o combate a crimes praticados na faixa de fronteira, como tráfico de drogas, extração ilegal de madeira e garimpo clandestino. Foto: captada
