LINDBERGH DESTINA R$ 1,7 MILHÃO A COOPERATIVAS LIGADAS AO MST NO PARANÁ

Publicado em: 17/07/2026 10:31

Emendas parlamentares beneficiaram entidades em bases políticas de Gleisi Hoffmann, reacendendo debate sobre critérios de distribuição de recursos públicos e transparência na destinação de verbas federais.

O deputado federal Lindbergh Farias, PT-RJ, destinou R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares a três cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, MST, no Paraná.
O montante foi executado via Programa de Aquisição de Alimentos, PAA, e beneficiou entidades em Jardim Alegre, Centenário do Sul e Londrina. As regiões integram a base eleitoral da ministra Gleisi Hoffmann, PT, companheira do parlamentar.
Chama atenção o volume: o valor enviado ao Paraná representa 2,5 vezes o que Lindbergh destinou ao Rio de Janeiro, seu próprio estado de eleição.
As cooperativas recebem recursos públicos para aquisição de alimentos, uma ação legítima de apoio à agricultura familiar. Mas a concentração geográfica em território politicamente relevante para sua parceira reacende o debate sobre o uso de emendas parlamentares.
Especialistas em transparência pública apontam que, embora a prática seja legal, destinações expressivas fora do estado do deputado podem configurar uso estratégico de verbas federais para fortalecer redes aliadas. Em 2024, o ministro Flávio Dino chegou a restringir o envio de emendas para outros estados justamente para reduzir riscos de favorecimentos políticos.
Gleisi Hoffmann, que atuou como deputada federal pelo Paraná até assumir o cargo de ministra, tem histórico de aproximação com assentamentos e cooperativas da região. Uma das entidades beneficiadas pela emenda de Lindbergh, a Cocavi, de Jardim Alegre, chegou a ser visitada por ela em abril deste ano.
O caso ocorre em meio a maior escrutínio sobre emendas parlamentares. Recentemente, o STF e a PF têm investigado indicações de recursos por líderes partidários, reforçando a necessidade de maior clareza nos critérios de alocação de dinheiro público.
Em uma democracia, o apoio à produção de alimentos e à reforma agrária é legítimo. No entanto, quando recursos federais se concentram de forma tão marcante em bases eleitorais de aliados, cabe à sociedade e aos órgãos de controle perguntar: a prioridade é o interesse público ou a construção de capital político?
Foto: Mídia Ninja

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