EX-LÍDER DO GOVERNO, JAQUES WAGNER (PT) ENFRENTA NOVO CRONOGRAMA DE OITIVAS NA OPERAÇÃO NO BANCO MASTER
Publicado em: 21/07/2026 15:18
Senador prestará depoimento à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas vantagens indevidas e transações financeiras irregulares ligadas a ex-gestores do Banco Master.
A Polícia Federal, PF, agendou para o próximo dia 7 de agosto o depoimento do senador Jaques Wagner, PT-BA, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A investigação apura um suposto esquema de vantagens indevidas e transações financeiras irregulares ligadas a ex-gestores do Banco Master.
O parlamentar baiano era um dos principais articuladores do Palácio do Planalto no Congresso. Sua situação política se deteriorou nas últimas semanas. O desgaste culminou com a sua saída oficial da liderança do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Isso ocorreu logo após a deflagração da nona fase da operação, em 18 de junho, quando agentes federais apreenderam quantias em dólares e euros em endereços ligados ao político.
O foco do novo interrogatório da PF concentra-se em duas movimentações imobiliárias suspeitas detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, e por cruzamento de dados investigativos.
A primeira é a intermediação de Jaques Wagner junto a um ex-sócio do banco para a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador. O imóvel teria como destinatária a filha do senador.
A segunda é a tentativa de venda de um terreno na cidade de Camaçari, BA, pelo valor de R$ 15,8 milhões. A transação teria sido colocada em andamento apenas 24 horas após o parlamentar ter sido alvo de mandados de busca e apreensão.
Diante do avanço das apurações e do agendamento da oitiva, a equipe jurídica que representa o senador indicou que a estratégia inicial será orientar o cliente a exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio perante a autoridade policial.
O silêncio técnico visa evitar contradições enquanto a defesa não obtém acesso integral ao teor dos novos depoimentos e quebras de sigilo anexados ao inquérito.
O desdobramento do caso mantém o ex-líder governista sob forte pressão do Ministério Público e do Judiciário. Isso limita seu espaço de manobra política no Senado durante o segundo semestre legislativo.
Foto: Paula Fróes