A vida dupla de delinquente que pregava nas Igrejas evangélicas

Por Nilton Cesar Santana
O adolescente de 17 anos — que completará 18 em outubro — investigado pela morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, ocorrida em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, viajou à Paraíba sob o pretexto de realizar atividades religiosas. Segundo o advogado de defesa, Dr. Ariolan Fernandes, o jovem foi pregar em igrejas de João Pessoa, apresentando-se como pregador e influenciador no meio evangélico, afirmando que sua principal fonte de renda e o motivo de sua viagem eram a ministração de palestras e cultos na região. Essa imagem era reforçada por fotos e vídeos publicados no Facebook, onde o menor aparecia frequentemente pregando para fiéis, segurando a Bíblia no púlpito e discursando como uma figura atuante no ministério.
Por trás dessa fachada religiosa, no entanto, a apuração policial apontou que o jovem já acumulava mais de 10 atos infracionais no Rio Grande do Norte e mantinha uma vida dupla. Na internet e nas redes sociais, ele criava falsas identidades para se passar por adulto, apresentando-se como servidor do Tribunal de Justiça e professor universitário, e assim enganou muitos homens com quem marcava encontros. Além disso, utilizava documentos falsos para se hospedar em hotéis e motéis ocultando sua menoridade, método que usou para se registrar no estabelecimento e atrair Washington, que trabalhava como motorista de aplicativo e criador de conteúdo adulto.
As circunstâncias da morte evidenciam requintes de crueldade e tortura que inviabilizam a tese de legítima defesa, fato reconhecido pelo próprio advogado. O corpo de Washington foi encontrado com as mãos algemadas, um pano na boca para abafar seus gritos e um fio de secador de cabelo enrolado no pescoço. A perícia apontou que a causa da morte foi asfixia mecânica, demonstrando que a vítima permaneceu imobilizada e subjugada antes de ser morta.
O adolescente de 17 anos apontado como principal suspeito de m4t@r Washington Rodrigo, de 33 anos, se apresentou à Polícia Civil nesta segunda-feira, dia 27, na cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte.
A informação foi confirmada pelo advogado criminalista Ariolan Fernandes, responsável pela defesa do adolescente. Segundo ele, o jovem compareceu espontaneamente à delegacia acompanhado de seus advogados.
O caso começou a ser investigado na última sexta-feira, dia 24, quando Washington Rodrigo foi encontrado m0rt0 em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, na orla de João Pessoa, na Paraíba.
De acordo com a Polícia Civil, o c0rp0 da vítima estava sobre a cama, com as mãos 4m@rrad4s, um fio enrolado no p£sc0ço e um pano na boca.
As investigações identificaram como principal suspeito um adolescente de 17 anos, natural e morador de Caicó, no Rio Grande do Norte.
Segundo a polícia, os dois teriam marcado um encontro por meio de um aplicativo de mensagens e se encontraram durante a madrugada no hotel onde o crime aconteceu. Após a m0rt£ de Washington, o adolescente deixou o local.
Ainda conforme a investigação, o suspeito teria utilizado documentos falsos para conseguir se hospedar no hotel. Mesmo assim, imagens de câmeras de segurança e outras provas materiais permitiram que ele fosse identificado.
A Polícia Civil informou que trabalha com a hipótese de motivação passional para o crime.
Durante a apuração, surgiram novas informações sobre o histórico do adolescente. Segundo reportagem do Portal Caicó, ele mantinha uma identidade falsa nas redes sociais, onde se apresentava como professor universitário e servidor do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.
Ainda de acordo com a reportagem, o adolescente chegou a ministrar palestras utilizando essa falsa identidade, reforçando a imagem que criava perante outras pessoas.
As investigações também apontam que ele possui um extenso histórico de atos infracionais, acumulando mais de dez registros em diferentes ocorrências, sendo considerado de alta periculosidade pelas autoridades.
Outra informação apurada é que o adolescente também é suspeito de extorquir familiares idosos, entre eles avós e tias, para conseguir dinheiro que seria usado em viagens.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que continua reunindo provas para adotar as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
