ICE prepara compra de luvas que dão choques em imigrantes nos EUA

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, planeja comprar milhares de luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos durante abordagens. O Departamento de Segurança Interna publicou na segunda-feira um aviso que prevê gasto de até US$ 20 milhões com os equipamentos até março, informou a Associated Press nesta terça-feira (11).
Os dispositivos receberam o nome de G.L.O.V.E., sigla em inglês para Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada. A empresa Compliant Technologies LLC fabrica as luvas, que funcionam como equipamentos comuns de patrulha até que o agente acione um botão para ativar a descarga elétrica.
O fabricante afirma que o agente precisa encostar a luva diretamente na pele da pessoa para provocar um estímulo doloroso. A empresa sustenta que o recurso costuma fazer com que a pessoa cumpra uma ordem em segundos.
John Peters, presidente do Instituto para a Prevenção de Mortes sob Custódia, comparou o efeito a uma picada de abelha. “É imediato e agudo, e vai distrair você”, disse. Ele avaliou que a ferramenta pode ajudar agentes a retirar pessoas de carros ou casas e a controlar entradas e saídas de centros de detenção.

ACLU questiona necessidade de choques em fiscalização migratória
A Compliant Technologies orienta que os agentes não usem a luva como punição, contra pessoas que apenas apresentem desobediência verbal ou comportamento hostil. O manual também contraindica o dispositivo para crianças, gestantes, idosos e pessoas com deficiência.
Defensores dos direitos civis contestaram a compra porque o ICE já enfrenta críticas por uso da força em operações da política migratória do presidente Donald Trump. A vice-diretora do projeto de policiamento da União Americana pelas Liberdades Civis, a ACLU, Jenn Rolnick Borchetta, disse não haver motivo para confiar no uso adequado dos aparelhos.
“O ICE passou o último ano mostrando a este país que é rápido demais para recorrer à força. Agora, poderá aplicar choques elétricos com um leve toque em um botão, talvez sem que ninguém mais consiga ver o que está fazendo”, afirmou Borchetta. Para ela, inserir luvas que provocam dor durante abordagens “é uma receita para causar danos ao público”.
Defensores do equipamento dizem que prisões e departamentos de polícia empregam as luvas em situações específicas, como transporte de detentos, e não em patrulhas amplas nas ruas. A fabricante afirma que os usuários precisam concluir um curso e renovar a certificação a cada dois anos; o Departamento de Segurança Interna disse que preparava uma resposta sobre o plano.
