EFEITO DOMINÓ SOB LULA: CRISES DE CASAS BAHIA E MARABRAZ AMEAÇAM SECAR CRÉDITO NO VAREJO
Publicado em: 20/08/2026 15:46
Recuperações judiciais ampliam temores sobre crédito, juros altos e dificuldades enfrentadas pelo varejo.
SÃO PAULO – O avanço da crise no comércio de bens duráveis acendeu o sinal de alerta no mercado financeiro e ameaça impor um severo estrangulamento de crédito ao varejo brasileiro sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um cenário de “efeito dominó”, os novos pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz aumentaram o receio de que os grandes bancos voltem a restringir o financiamento ao setor, repetindo o recuo de R$ 12 bilhões observado logo após o escândalo da Americanas.
O colapso operacional das redes joga luz sobre as fragilidades da atual política macroeconômica, marcada por juros altos e pelo avanço desenfreado do endividamento das famílias.
Analistas de mercado apontam que as condições econômicas vigentes têm sufocado a capacidade de sobrevivência das grandes varejistas. A taxa básica de juros (Selic) mantida em patamar restritivo eleva drasticamente o custo do capital de giro e inviabiliza as renegociações de passivos bilionários. A Casas Bahia recorreu à reestruturação judicial pressionada por uma dívida de R$ 17,3 bilhões, após já ter sido forçada a demitir quase dois mil funcionários e encerrar as atividades de 298 lojas em todo o país — um reflexo visível do enfraquecimento do consumo interno e da falta de incentivos estruturais ao comércio.
Fracasso no consumo e endividamento recorde municiam críticas
A deterioração do setor varejista expõe o fracasso das promessas governamentais de forte retomada do poder de compra e dinamismo econômico para as classes populares. Dados técnicos da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu o nível alarmante de 82%, o que drena a renda da população para o pagamento de contas passadas e afasta o consumidor das lojas de móveis e eletrodomésticos. A Marabraz, com dívidas acumuladas em R$ 140 milhões, é mais uma vítima da retração nas vendas a prazo provocada pelo encarecimento do crédito ao consumidor.
A oposição e entidades empresariais têm intensificado as cobranças à equipe econômica do governo Lula devido à paralisia diante do esvaziamento do setor produtivo. Com os bancos propensos a fechar as torneiras de novos empréstimos para proteger seus próprios balanços, fornecedores de médio e pequeno porte tendem a ser arrastados pela falta de liquidez.
Sem uma agenda clara de corte de gastos públicos e de alívio fiscal para conter a inflação interna, o Planalto assiste ao encolhimento de marcas históricas do comércio, deixando o governo vulnerável a acusações de incompetência na gestão do ambiente de negócios nacional.
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