Violência contra a mulher pode continuar mesmo após a separação; entenda

Publicado em: 24/08/2026 10:56
Campanha de enfrentamento à violência contra a mulher
Imagem ilustrativa

O fim de uma relação não encerra necessariamente a violência contra a mulher. A advogada Ana Cristina Melo Santiago, delegada de polícia aposentada e ex-chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher do Distrito Federal, afirma que agressões psicológicas, patrimoniais e formas de controle podem continuar após a separação.

Segundo ela, humilhações, ameaças, desqualificação e restrição financeira podem provocar medo, reduzir a autoestima e limitar a autonomia das vítimas. O controle também pode atingir o patrimônio, recursos financeiros, processos judiciais e a convivência com os filhos, especialmente quando a mulher chega à separação em condição econômica desigual após interromper ou reduzir a vida profissional para cuidar da família.

A especialista alerta que crianças e adolescentes não devem ser inseridos em disputas entre adultos ou usados como instrumentos de pressão. Ela defende que a rede de atendimento e o Judiciário adotem perspectiva de gênero para evitar revitimização. No Distrito Federal, o Programa Viva Flor atende mulheres consideradas em situação de elevado risco e aciona a Polícia Militar em casos de emergência.

 

“Falava que ia me matar”: dentista relata agressões e ameaças de empresário da Faria Lima

Giullia Falcão e Ivo Vel Kos juntos
Giullia Falcão e Ivo Vel Kos. Foto: Reprodução

A dentista Giullia Falcão, de 27 anos, relatou agressões que diz ter sofrido durante o casamento com o empresário Ivo Vel Kos, de 48. Ela afirmou que o episódio mais recente começou após um jantar com amigos, quando ele a repreendeu e, no carro, passou a golpeá-la enquanto dirigia. Giullia também disse que o então marido a ameaçou com um taser.

Segundo o relato da dentista, ela conseguiu sair do veículo e pediu ajuda a seguranças na rua, mas acabou levada de volta para a residência contra a vontade. Dentro da casa, as agressões teriam continuado, inclusive com um taco de beisebol. Giullia disse que fugiu ao aproveitar uma distração do empresário e recebeu ajuda de vizinhos, que chamaram a polícia.

Ela afirmou que a primeira agressão física ocorreu uma semana antes do casamento e que, depois, enfrentou violência física, sexual e psicológica, além de controle sobre seu trabalho e sua vida financeira. “Com certeza, ele falava que ia me matar”, declarou. Ivo Vel Kos virou réu por lesão corporal qualificada e ameaça, enquanto a polícia investiga uma denúncia de violência patrimonial. A defesa do empresário negou tentativa de atentar contra a vida de Giullia e as acusações de estupro. Em nota, afirmou que ele está preso cautelarmente, sem julgamento, e que apresentará os esclarecimentos à Justiça. O caso também retrata o ciclo da violência doméstica, marcado por controle e humilhações, agressões e uma fase posterior de promessas de mudança.

Compartilhar

Faça um comentário