Lula manda diretor da PF procurar Mendonça para resolver conflito

Publicado em: 27/08/2026 10:38
Andrei Rodrigues e André Mendonça em montagem com retratos
Andrei Rodrigues e André Mendonça em montagem com retratos oficiais. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulou uma reunião entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tentar reduzir a tensão entre os dois lados em torno de investigações de impacto político. O encontro deve ocorrer nos próximos dias e terá mediação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

A relação se desgastou pela desconfiança sobre o ritmo das apurações e sobre vazamentos de informações. Decisões de Rodrigues sobre a escolha de delegados, a distribuição de recursos e a condução das equipes também passaram a receber críticas entre interlocutores envolvidos nas investigações.

Mendonça relata dois inquéritos considerados sensíveis para o governo: o caso Dark Horse/Master e os desdobramentos da Operação Sem Desconto que atingiram o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Os processos têm potencial de repercussão eleitoral antes da disputa presidencial de 2026.

A investigação sobre o filme “Dark Horse” surgiu como desdobramento do caso Banco Master, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. O inquérito passou a examinar repasses destinados à cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Lula e Andrei Rodrigues. Foto: reprodução

Inquérito sobre filme de Bolsonaro provocou disputa no STF

A Polícia Federal apura a origem dos recursos para a produção do longa após a revelação de mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Vorcaro. Os investigadores analisam a existência de eventuais contrapartidas políticas e a suspeita de uso de parte dos valores para custear atividades de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos.

O caso também abriu uma disputa pela relatoria no STF. Setores ligados ao PT defendiam que Alexandre de Moraes conduzisse o tema, enquanto a Procuradoria-Geral da República avaliou que o inquérito tinha conexão direta com o caso Banco Master, sob responsabilidade de Mendonça. A Corte manteve o processo com o ministro indicado por Bolsonaro.

As divergências entre Mendonça e Moraes envolvem o andamento das apurações, o compartilhamento de provas e a estratégia investigativa. O caso Master ganhou dimensão política porque reúne suspeitas financeiras e menções ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente.

No núcleo ligado ao INSS, os inquéritos investigam fraudes em descontos aplicados a benefícios previdenciários. As apurações avançaram a partir da Operação Sem Desconto e alcançaram Lulinha, o que elevou a preocupação do governo com os desdobramentos do caso.

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