DE ONDE SAIU O GADO DO SENADOR MARCOS ROGÉRIO?

DE ONDE SAIU O GADO DO SENADOR MARCOS ROGÉRIO?
O cenário político de Rondônia impõe uma sequência incômoda de saias-justas ao senador Marcos Rogério PL/RO, cotado para a corrida ao governo estadual.
Primeiro, o sobressalto em escala nacional: a prisão de um ex-assessor em operação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas. Ainda que o parlamentar não tenha sido alvo direto de qualquer imputação, o episódio deixou digitais incômodas e o inevitável desgaste por contaminação de proximidade.
Como desgraça pouca é bobagem no xadrez eleitoral, no dia de ontem veio uma nova tempestade no quintal político do senador. Desta vez, um dos atingidos foi o prefeito de Nova Mamoré e presidente da Associação Rondoniense de Municípios (Aron), Marcélio Brasileiro — nome central na engrenagem da campanha de Rogério.
A investigação aponta o uso de verba do Fundo Eleitoral de 2024 para pagar serviços contábeis com valores sob suspeita: cerca de metade do repasse da campanha à reeleição de Marcélio, por exemplo, teria ido para uma única empresa do setor.
Além de Marcélio, o Partido Liberal – PL, partido hoje presidido por Marcos Rogério em Rondônia, também teria usado o mesmo artificio com recursos do fundo de financiamento de campanha.
No mercado, o teto usual para esse tipo de serviço gira em torno de 5% da movimentação. A discrepância saltou aos olhos. Seria lavagem de dinheiro para operações eleitorais escusas ou aproveitamento pessoal? Essas são as perguntas para as quais a PF está procurando respostas.
Para completar a escalada de ruídos, há em redes sociais a ruidosa história de um cheque de R$ 1 milhão, emitido em novembro de 2024 por Eduardo Almeida Ferreira, então gerente de um frigorífico em Ji-Paraná, em benefício do senador Rogério.
Pessoas próximas a Marcos Rogério reagem sustentando que a cifra milionária decorre da venda legítima de bovinos de sua propriedade. No entanto, o beneficiado pelo cheque nunca se manifestou sobre a situação.
Cópia do cheque:

Eis o xis da questão: em Rondônia, dona de um dos maiores rebanhos do país, o rastro da pecuária não é fantasma, deixa pegadas documentais claríssimas. Toda transação exige a emissão da Guia de Transporte Animal (GTA) pela Idaron (Agência de Defesa Sanitária Agrossilvipastoril do Estado), registrando vendedor e comprador, além da devida nota fiscal quando o destino é o abate industrial. Ou seja, se a operação foi republicana, sua comprovação é fácil — o que deve ser do interesse do pré-candidato e, mais ainda, de seus eleitores.
Apesar da gravidade do desgaste, o silêncio do senador até aqui só faz aumentar a temperatura do caldeirão e provocar calafrios na própria base aliada. A pergunta que não quer calar nos bastidores rondonienses permanece sem resposta oficial: cadê a papelada da Idaron sobre o gado do senador?
O espaço para os devidos esclarecimentos, como manda o bom jornalismo, segue aberto e à disposição do senador Marcos Rogério.
