Após uma noite chuvosa, nuvens densas se formam com o nascer do sol, enquanto a água evapora das florestas encharcadas do Parque Nacional da Chapada das Mesas, no Brasil. O Cerrado, segundo maior bioma do país, tem diversas regiões com platôs de arenito como estes, formados pela deposição de sedimentos em camadas. Ao longo do tempo, a ação do clima sobre essas formações dá origem a novas estruturas, como as “mesas” e “chapadões”. Foto: Lucas Ninno
No Dia do Cerrado, uma seleção com 24 imagens revela a diversidade do segundo maior bioma no país. Entre chapadas, rios, cavernas e campos, as fotografias de Lucas Ninno mostram paisagens marcantes e espécies como o lobo-guará, a arara-canindé, o tamanduá-bandeira e a anta, além de plantas endêmicas e formações naturais que ajudam a contar a história do bioma.
A galeria também registra os contrastes do Cerrado: de áreas preservadas e paisagens iluminadas pelo céu estrelado a regiões atingidas pelo fogo e pelo desmatamento. As imagens revelam ainda vestígios de antigos oceanos, pinturas rupestres e outras marcas da relação entre natureza e ocupação humana. Confira as 23 imagens e conheça um pouco mais da riqueza e da beleza do Cerrado.
Quer receber nossa newsletter?
Fique por dentro do que está acontecendo!
Um lobo-guará encara diretamente a lente da câmera sob os últimos raios de sol no Parque Nacional das Emas, unidade de conservação federal no Cerrado brasileiro. Símbolo icônico desse ecossistema diverso, o lobo-guará, apesar do nome, não é um lobo verdadeiro, mas a única espécie do gênero de canídeos Chrysocyon, endêmico da América do Sul. Foto: Lucas NinnoO Cerrado possui diversos tipos de paisagens, que pesquisadores denominam fitofisionomias. A mais característica é o Cerrado stricto sensu, onde se encontram as típicas árvores tortas e de casca grossa entremeadas por capins nativos. Foto: Lucas NinnoAs araras-canindé são uma das espécies de psitacídeo – família dos papagaios, periquitos e araras – mais abundantes do Cerrado, com seu colorido padrão azul e amarelo, além de detalhes em verde, branco e preto em volta dos olhos. Foto: Lucas NinnoTronco de uma árvore morta enquadra a vista da Serra Geral de Goiás, na Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca. Foto: Lucas NinnoEm uma manhã de neblina, o Rio Preto despenca entre paredões de quartzito no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A savana tropical brasileira abastece oito das doze maiores bacias hidrográficas do país e dá origem a grandes rios como São Francisco, Araguaia, Tocantins e Paraguai. Foto: Lucas NinnoA Gruta do Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, é um exemplo do fluxo de água no subsolo do Cerrado. Com cerca de 600 milhões de anos, as rochas calcárias da região foram gradualmente dissolvidas pela ação dos rios e das chuvas, formando cavernas como esta, que chega a 100 metros de altura. Foto: Lucas NinnoUma cobra-papagaio (Leptophis mystacinus) captura a rara perereca Trachycephalus mambaiensis no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, localizado na transição entre o cerrado e a caatinga, no norte de Minas Gerais. Foto: Lucas NinnoFósseis de conchas de organismos marinhos foram encontrados incrustados no arenito do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e hoje estão sob a guarda do Museu de História Natural de Mato Grosso. No coração da América do Sul, a região já foi o fundo de um oceano durante o período Devoniano, há cerca de 420 milhões de anos. Foto: Lucas NinnoPinherinho-do-cerrado (Chaetostomascoparium) em flor. A espécie é restrita a serras do entorno de Alto Paraíso de Goi;as, na Chapada dos Veadeiros. Pelo menos um terço das 12 mil espécies de plantas encontradas no cerrado são endêmicas – só existem nesse bioma. Foto: Lucas NinnoChuveirinhos ou sempre-vivas são espécies da família Eriocaulaceae, nativas do Cerrado. Elas geralmente crescem em campos úmidos, áreas de solo encharcado dominadas por gramíneas nativas, ou em afloramentos rochosos com solos rasos e pobres em nutrientes. Foto: Lucas NinnoFêmea de Tamanduá-bandeira carrega seu filhote pelos campos da Serra da Canastra, em Minas Gerais. A espécie é classificada como vulnerável pela lista vermelha da IUCN. Foto: Lucas NinnoUm filhote de veado-mateiro (Mazamaamericana) atravessa uma mata de galeria, paisagem úmida do cerrado, onde a vegetação encobre completamente pequenos cursos d’água. Foto: Lucas NinnoCom seu característico topete vermelho, o soldadinho (Chiroxiphiagaleata) é uma das aves emblemáticas das matas de galeria do cerrado. Foto: Lucas NinnoUm incêndio de grandes proporções devasta o cerrado durante a noite, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. Apesar de mostrar uma alta resistência ao fogo, o cerrado ainda é vulnerável às queimadas que ocorrem no auge da seca e podem calcinar plantas inteiras devido à alta temperatura que as chamas alcançam durante essa época. Foto: Lucas NinnoCerrado desmatado próximo ao município de Grajaú, no Maranhão. Além da perda de biodiversidade, a destruição da vegetação nativa reduz a capacidade do solo de infiltrar e reter água, impactando diretamente os níveis dos rios, especialmente durante os meses mais secos. Foto: Lucas NinnoUma anta atravessa lavoura de soja no entorno do Parque Nacional das Emas, em Goiás. A expansão da monocultura e da pecuária é o principal vetor de desmatamento do cerrado e afetam diretamente animais como as antas, cuja saúde depende da diversidade da flora do bioma. Foto: Lucas NinnoA biodiversidade do Cerrado retratada nas pinturas do sítio arqueológico Piolho do Urubu, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. O sítios da região foram ocupados há pelo menos 11,7 mil anos antes do presente, na transição entre o Pleistoceno e o Holoceno (período geológico atual). Foto: Lucas NinnoFigura humana escavada no arenito da região de Guiratinga, Mato Grosso. Este tipo de arte rupestre, chamado de petróglifo, sobrevive nas rochas sedimentares como o arenito, e evidencia a antiga ocupação do centro-oeste brasileiro. Muitos sítios como este, na beira do Rio Garças, jamais foram escavados ou estudados. Foto: Lucas NinnoChaminés-de-fada sob o céu estrelado no cerrado goiano. As raras formações foram registradas pela primeira vez no Brasil em 2023 em uma expedição liderada pela geóloga Joana Paula Sanchez, pesquisadora da Universidade Federal de Goiás. A foto, realizada com a técnica de light painting, utilizou uma lanterna com luz vermelha para iluminar as estruturas.. Foto: Lucas NinnoEmbora pareça uma única flor, esse botão de uma sempre-viva é, na verdade, um conjunto de flores masculinas e femininas. Na foto, as flores masculinas se desenvolveram primeiro, expondo seus estames com pólen, que posteriormente fecundará as flores femininas. Foto: Lucas NinnoLucas Ninno, fotógrafo, naturalista e explorador da National Geographic, no Parque Nacional das Emas. Foto: Arquivo PessoalO fotógrafo e explorador Lucas Ninno e o guia Daniel Almeida passam a noite aos pés da Serra Geral de Goiás, na Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca. Foto: Lucas NinnoAcampamento do fotógrafo e explorador da National Geographic, Lucas Ninno, em meio ao cerrado da Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca, em Goiás. Foto: Lucas Ninno
De veredas a campos abertos e de florestas verdejantes a paredões rochosos, as paisagens do Cerrado no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães mostram toda a exuberância desse bioma →
Apesar dos números, houve queda no desmatamento não só neste bioma, mas também na Amazônia, Pantanal, Pampa e Caatinga. Mata Atlântica se manteve estável →