Missionárias evangélicas faziam rodízio sexual dentro da cadeia, aponta PC
Integrantes do grupo religioso Resgatando Vidas, que tinha acesso à Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, são apontadas pela Polícia Civil como participantes de um esquema de “rodízio sexual” com diferentes presos, alguns deles identificados nas investigações como lideranças de uma facção em Mato Grosso.
O caso aparece em relatório técnico da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), produzido a partir da análise de dados extraídos da conta iCloud de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida. Segundo os investigadores, as conversas revelam que os vínculos mantidos pelas integrantes do projeto extrapolavam de forma significativa a assistência religiosa, envolvendo relacionamentos amorosos, contato direto com presos e expectativa de benefícios financeiros.
Um dos diálogos destacados pela Polícia Civil envolve Wiara Lima Cadore. Em novembro de 2025, ela afirmou que pretendia visitar diferentes presos separadamente, para evitar desentendimentos entre eles.
“Gata, cada dia eu vou visitar um. Você acha que eu venho? Vou aproveitar a feriado, porque é dia de presídio. Vou aproveitar a sexta-feira, porque é dia de presídio. Gata, vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro. Então vou visitar todos”, afirmou Wiara.
Para a Polícia Civil, a conversa demonstra o planejamento de visitas individualizadas a diferentes detentos e teria conteúdo “afetivo e pessoal incompatível com uma atuação exclusivamente religiosa”.
Em outra conversa, Wiara relatou ter acabado de sair do presídio após encontrar um detento. Na sequência, Karolina Lopes Padilha perguntou, em tom de deboche, se Rhavenna havia “segurado a cortina” para ela. Wiara respondeu: “Segurou muito bem”. A Polícia Civil avaliou que o diálogo tem “evidente conotação sexual” e reforça a tese de que os encontros ultrapassavam a assistência espiritual.
