Detran-RO fecha os olhos enquanto terceirizados passam o fim de ano sem salário e sem 13º

Detran-RO fecha os olhos enquanto terceirizados passam o fim de ano sem salário e sem 13º
Empresa contratada acumula atrasos, trabalhadores fazem greve, denunciam ao MP e, mesmo assim, contrato é renovado
Às vésperas do Natal, funcionários terceirizados que prestam serviços ao Detran de Rondônia enfrentam uma situação que beira o abandono institucional. Sem receber nenhuma parcela do décimo terceiro salário até 23 de dezembro, com salários e vales-alimentação atrasados, esses trabalhadores são vítimas de um sistema que falha em proteger quem sustenta o funcionamento do serviço público.
Desde janeiro de 2025, quando a empresa Multi Service, com sede em Porto Velho, assumiu o contrato, os atrasos se tornaram rotina. O problema não é pontual, não é isolado e tampouco desconhecido. Em novembro, os trabalhadores foram obrigados a cruzar os braços em greve para conseguir receber parte do que já lhes era devido — um vale-alimentação e salários atrasados. Ainda assim, outro vale segue pendente e o décimo terceiro simplesmente não foi pago.
O impacto vai muito além das contas atrasadas. São famílias inteiras penalizadas, trabalhadores humilhados, pressionados pelo medo de represálias e forçados a recorrer ao anonimato para denunciar abusos evidentes. A pergunta que ecoa é simples e incômoda: como um órgão público permite que isso aconteça repetidamente?
Os funcionários afirmam que denúncias foram formalizadas junto ao Ministério Público de Rondônia e ao Ministério Público do Trabalho. Os fiscais de contrato, segundo relatos, têm ciência da situação e comunicam o Detran, mas o órgão permanece inerte. Nada foi feito de forma efetiva para interromper os atrasos, aplicar sanções ou proteger os trabalhadores.
O fato mais grave, porém, é que mesmo diante de um histórico de irregularidades trabalhistas, o Detran-RO renovou o contrato com a empresa. A decisão levanta suspeitas e escancara um problema estrutural: a terceirização sem fiscalização, onde o lucro é preservado e o trabalhador descartado.
Não se trata apenas de descumprimento da CLT. Existe responsabilidade solidária do órgão público, que tem o dever legal de fiscalizar contratos, reter pagamentos, aplicar multas e, se necessário, rescindir contratos que violam direitos básicos. A omissão do Detran não é neutra: ela legitima o abuso.
Ao recorrer à imprensa, os trabalhadores não pedem favores. Exigem respeito à lei, dignidade e o pagamento do que lhes é devido. A exposição do caso busca pressionar as autoridades, alertar órgãos de controle e impedir que a situação continue sendo empurrada para debaixo do tapete.
Enquanto discursos oficiais falam em legalidade e eficiência administrativa, terceirizados do Detran passam o fim de ano sem salário, sem décimo terceiro e sem respostas. A quem interessa esse silêncio?
O espaço permanece aberto para manifestação do Detran de Rondônia e da empresa Multi Service. O direito de resposta é garantido. O direito ao salário, também.
Fonte:Alexandre Araujo
