CENTROAVANTE MODERNO: mobilidade e inteligência superam o mito do camisa

Publicado em: 21/01/2026 13:48
CENTROAVANTE MODERNO: mobilidade e inteligência superam o mito do camisa 9 fixo
Foto: Divulgação

No futebol moderno, o verdadeiro camisa 9 não é o que fica parado na área, mas aquele que se movimenta, pensa o jogo e potencializa o coletivo.

É comum ouvir que o futebol brasileiro perdeu qualidade em relação ao europeu por ter deixado de lado a criatividade, a improvisação e o talento individual. Essa leitura, porém, ignora um ponto essencial: o jogo evoluiu. O Brasil não ficou para trás por falta de fantasia, mas por demorar a acompanhar transformações táticas e coletivas que redefiniram a forma de jogar  uma distância que, aos poucos, vem sendo reduzida.

 

As conquistas das Copas de 1958, 1962 e 1970 não se explicam apenas pelo brilho individual. A seleção brasileira já combinava talento com organização coletiva. Em 1958, Zagallo recuava para o meio-campo, formando um trio de articulação, enquanto a defesa atuava em linha de quatro, consolidando o 4-3-3, uma evolução do antigo sistema WM. O sucesso veio justamente da adaptação tática aliada à qualidade técnica.

 

Outro conceito repetido à exaustão no Brasil é o de que o centroavante ideal precisa ser alto, forte, fixo e atuar como pivô. Atacantes que se movimentam, participam da construção das jogadas e se afastam da área costumam ser rotulados como “falso 9”, uma simplificação equivocada. Na prática, esses jogadores representam o centroavante mais completo especialmente quando também são goleadores.

 

Veja também 

 

Rayan acerta saída para a Inglaterra em negociação milionária com o Bournemouth

 

Vini Jr. brilha e Real Madrid goleia o Mônaco na Liga dos Campeões

A atual seleção brasileira conta com atacantes de perfis variados, embora não tenha um centroavante fixo do nível de Haaland nem um jogador onipresente no ataque como Harry Kane. Ainda assim, o técnico dispõe de alternativas conforme o contexto: um camisa 9 clássico, como Pedro ou Igor Jesus; atacantes móveis, como João Pedro e Matheus Cunha; ou jogadores velozes para atacar o espaço, como Vinicius Junior, Kaio Jorge e Vitor Roque. Se a Copa fosse hoje, Vinicius Junior despontaria como titular.

 

Foto da exposição '60/30 - Conquistas do Futebol Brasileiro', no Sesc 24 de Maio

A seleção após vencer a Suécia na final da

Copa de 1958 – 29.jun.58/Reprodução

 

A história mostra que não existe fórmula única para vencer um Mundial. O Brasil já foi campeão com centroavantes de estilos distintos: Romário, em 1994; Ronaldo, em 2002; Vavá, mais fixo, em 1958 e 1962; e até sem um centroavante tradicional, como em 1970, com Tostão exercendo papel de articulador ofensivo.

 

0

Romário e Bebeto em lance da final da Copa de 1994, contra a

Itália, nos EUA – Pisco Del Gaiso – 17.jul.94/Folhapress

 

Na preparação para a Copa de 1970, Zagallo chegou a convocar centroavantes clássicos e indicou que eu seria reserva de Pelé por não ser da posição. Eu sabia que a ideia mudaria. A equipe precisava de um centroavante que organizasse o jogo, facilitasse as ações ofensivas e dialogasse com Pelé e Jairzinho exatamente o que aconteceu. Assim como no Cruzeiro, em que Evaldo era o elo entre mim e Dirceu Lopes, esse papel foi decisivo na seleção.

 

Dirceu Lopes em partida do Cruzeiro contra o São Paulo

no Mineirão, nos anos 1970 – Folhapress

 

Mesmo com planejamento, talento e organização, um título mundial depende de detalhes e do imprevisível. Em torneios curtos, o imponderável pesa tanto quanto a estratégia. Como escreveu Guimarães Rosa, “a vida dá muitas voltas”.

 

 

 

Fora do futebol, uma vivência marcante: uma temporada na Amazônia, percorrendo trilhas, navegando pelo rio Negro e convivendo com comunidades ribeirinhas e indígenas. Uma experiência inesquecível, que reforça a urgência de preservar um dos maiores patrimônios naturais do planeta antes que seja destruído pela irresponsabilidade humana.

LEIA MAIS

Compartilhar

Faça um comentário