Cientistas desenvolvem spray nasal que pode virar ‘vacina universal’ contra vírus respiratórios e alergias

Publicado em: 21/02/2026 14:35
Cientistas desenvolvem spray nasal que pode virar ‘vacina universal’ contra vírus respiratórios e alergias
Foto: Reprodução

Uma abordagem inovadora, por enquanto apenas testada em animais, potencializa o sistema imunológico inato para fornecer uma primeira linha de defesa contra infecções respiratórias

Uma “vacina universal” em spray nasal pode mudar a forma como o mundo enfrenta doenças respiratórias. Pesquisadores da Universidade Stanford anunciaram avanços em um imunizante administrado sem agulhas, capaz de proteger simultaneamente contra gripe, Covid-19, resfriados, pneumonia bacteriana e até alergias.

 

O estudo, publicado na revista Science, mostrou resultados promissores em testes com camundongos. Os animais que receberam o spray apresentaram 700 vezes menos vírus nos pulmões após exposição à Covid-19 e a bactérias causadoras de pneumonia e faringite estreptocócica, em comparação com os que não foram imunizados.

 

Segundo os pesquisadores, a proteção durou pelo menos três meses e incluiu defesa contra múltiplos vírus e bactérias respiratórias, além de suprimir reações a alérgenos, como os responsáveis por crises de asma.

 

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Apesar do entusiasmo, os testes até agora foram feitos apenas em animais. A equipe espera iniciar estudos clínicos em humanos nos próximos anos. Mesmo no cenário mais otimista, a aplicação ampla do produto pode levar de cinco a sete anos, segundo o imunologista Bali Pulendran, que lidera o estudo.

 

Especialistas independentes consideraram a pesquisa “empolgante” e potencialmente revolucionária. Daniela Ferreira, da Universidade de Oxford, afirmou que a estratégia pode transformar a proteção contra infecções respiratórias comuns, caso se mostre segura e eficaz em humanos. Já Brendan Wren, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse que a proposta parece “boa demais para ser verdade”, mas reconheceu que pode representar um novo conceito em vacinação.

 

A proposta é que o spray seja aplicado uma vez por ano, antes do inverno, oferecendo proteção contra vírus como o Sars-CoV-2, influenza, vírus sincicial respiratório e outros agentes respiratórios, além de bactérias associadas à pneumonia.

 

Diferentemente das vacinas tradicionais, que estimulam o sistema imunológico adaptativo — responsável pela produção de anticorpos específicos — o spray atua principalmente sobre o sistema imunológico inato, uma linha de defesa mais ampla e imediata do organismo.

 

O imunizante tem três componentes: dois estimulam receptores que ativam células imunológicas inatas, como macrófagos pulmonares; o terceiro ativa células T que ajudam a manter o sistema imune em estado de alerta. A fórmula inclui ainda uma proteína derivada de ovos de galinha, considerada essencial para manter a resposta prolongada.

 

Nos testes, camundongos que receberam quatro doses desenvolveram imunidade contra o Sars-CoV-2 e outros coronavírus, além de bactérias respiratórias. Outro resultado surpreendente foi a redução da hipersensibilidade a ácaros da poeira doméstica, prevenindo quadros de asma alérgica.

 

Pulendran descreve o mecanismo como um sistema de “duas barreiras”: primeiro, uma proteção mucosa impede a entrada de patógenos nos pulmões; depois, o sistema imunológico previamente ativado reage de forma extremamente rápida para eliminar qualquer agente que ultrapasse essa primeira defesa.

 

 

 

Se os resultados forem confirmados em humanos, o spray poderá representar uma nova estratégia global de prevenção, combinando proteção contra múltiplas doenças respiratórias em uma única aplicação anual.

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