Crise climática expõe necessidade de mudanças na saúde pública da Amazônia
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SUS na Amazônia precisa se adaptar às mudanças climáticas, incorporando saberes tradicionais, indicadores locais e estratégias de cuidado ajustadas ao território, apoiam
Os sistemas de saúde que operam na Amazônia brasileira não estão preparados para enfrentar os impactos combinados das mudanças climáticas, da degradação ambiental e das desigualdades históricas que marcam a região.
A constatação é de um grupo de pesquisadores brasileiros em artigo publicado no British Medical Journal (BMJ), que defende a necessidade de reconstruir o modelo de atenção à saúde a partir dos conhecimentos locais, das necessidades das comunidades e das especificidades territoriais amazônicas.
Segundo os autores, políticas públicas trataram historicamente a Amazônia como um espaço vazio e um reservatório de recursos naturais voltado à exploração econômica. Essa visão orientou projetos de desenvolvimento que provocaram profundas transformações socioambientais, romperam relações ancestrais entre povos e natureza e produziram impactos duradouros sobre a saúde física e mental de populações indígenas e tradicionais.
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O resultado foi a perda de biodiversidade, a erosão da sociodiversidade e o enfraquecimento de modos de vida baseados no chamado bem viver.“Integrar os sistemas de conhecimento na Amazônia exige mais do que diálogo; exige uma mudança radical na governança, que desvincule a saúde de um foco antropocêntrico exclusivamente ocidental e promova um modelo de cuidado multiespécie, que vá além do humano, fundamentado na justiça ecológica e nas cosmovisões indígenas”, destacou trecho do estudo.
No artigo, os pesquisadores ressaltam que povos indígenas da Amazônia concebem saúde e doença de forma integrada, considerando dimensões sociais, ambientais e espirituais. Doenças infecciosas, como malária e covid-19, são compreendidas não apenas como fenômenos biológicos, mas como sinais de desequilíbrios provocados pela destruição ambiental e pela ruptura de territórios sagrados. Essa leitura dialoga com abordagens contemporâneas da saúde global que reconhecem a interdependência entre humanos, outros seres vivos e os ecossistemas.




