Desconfiança nas urnas atinge 43% e é maior entre bolsonaristas, diz Genial/Quaest

Publicado em: 15/02/2026 20:41
Urna eletrônica na sessão eleitoral. Foto: Reprodução/GZH

Pesquisa divulgada neste domingo (15), em São Paulo, pela Genial Investimentos em parceria com a Quaest aponta que 43% dos brasileiros dizem não confiar nas urnas eletrônicas. O levantamento mostra ainda que 53% consideram o sistema confiável, enquanto 3% não souberam ou não responderam e 1% afirmou não concordar nem discordar da afirmação apresentada.

Entre os que demonstram desconfiança, a maioria declarou ter votado em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022. O estudo revela uma divisão nítida conforme o comportamento eleitoral e o posicionamento político dos entrevistados.

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 entrevistas em todo o país. Segundo o instituto, o nível de confiança é de 95%. Aos participantes foi apresentada a frase “as urnas eletrônicas são confiáveis”, e eles deveriam dizer se concordavam ou discordavam.

O recorte por voto em 2022 mostra diferença expressiva. Entre os eleitores de Bolsonaro, 69% afirmaram não concordar que as urnas são confiáveis, enquanto 26% disseram confiar. Já entre os que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 75% declararam confiar no sistema eletrônico e 22% indicaram desconfiança.

Sede do Tribunal Superior Eleitoral, (TSE), em Brasília (DF). Foto: Divulgação/TSE

A segmentação por identidade política reforça essa divisão. Entre os que se identificam como lulistas, 78% concordam com a confiabilidade das urnas, índice que sobe para 82% na esquerda não lulista. No campo oposto, 77% dos bolsonaristas discordam da afirmação, assim como 65% da direita que não se declara apoiador do ex-presidente.

Entre os entrevistados que se definem como independentes, 55% afirmaram confiar nas urnas eletrônicas, enquanto 41% disseram não confiar. O resultado indica que, fora dos polos mais ideológicos, a confiança supera a desconfiança.

O levantamento também aponta diferenças regionais. A maior taxa de desconfiança aparece no Sul e no conjunto Centro-Oeste/Norte, ambos com 48%. No Sudeste, 54% consideram o sistema confiável, percentual que chega a 59% no Nordeste.

No recorte religioso, 52% dos evangélicos afirmaram não confiar nas urnas, enquanto 44% disseram acreditar na confiabilidade do sistema. O modelo eletrônico de votação é adotado no Brasil desde 1996 e, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conta com múltiplas camadas de segurança, não é conectado à internet e passa por abertura anual do código-fonte para inspeção pública.

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