Portas giratórias da previdência: CEOs de grandes bancos visitam o IPERON

Publicado em: 21/01/2026 11:52

Portas giratórias da previdência: CEOs de grandes bancos visitam o IPERON

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Enquanto segurados, conselheiros e a sociedade em geral aguardam respostas sobre o futuro da previdência estadual, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Rondônia (IPERON) abriu suas portas, de forma seletiva, para executivos do sistema financeiro. CEOs de grandes bancos vêm sendo convidados para reuniões consideradas “estratégicas”, sendo o Banco Constanza um dos primeiros a cumprir agenda no Instituto.

A pauta oficial, como de praxe, não foi amplamente divulgada. Tampouco houve transmissão pública, ata acessível ou qualquer mecanismo de transparência compatível com a relevância institucional do IPERON, que administra recursos previdenciários pertencentes aos servidores públicos do Estado. Curiosamente, encontros dessa magnitude, envolvendo interesses financeiros de alta monta, parecem prescindir da luz do debate público.

Chama atenção, ainda, o fato de tais reuniões ocorrerem sem a participação de membros do Conselho Superior Previdenciário, instância legalmente vocacionada ao controle, à deliberação e à fiscalização da política previdenciária. A ausência do colegiado suscita uma pergunta simples, embora incômoda: se os temas tratados são técnicos, institucionais e benéficos ao interesse público, por que não submetê-los ao órgão máximo de governança do sistema?

Em um Estado que clama por transparência, previsibilidade e segurança institucional, o roteiro lembra menos uma política pública previdenciária e mais um ensaio de roadshow financeiro, no qual decisões sensíveis parecem circular por corredores restritos, longe dos olhos de quem efetivamente sustenta o sistema.

Resta saber se o IPERON pretende transformar essas visitas em política institucional permanente e, sobretudo, se em algum momento os verdadeiros interessados na previdência pública, os servidores e seus representantes, também serão convidados a sentar à mesa.

Porque, afinal, quando reuniões são importantes demais para serem públicas, elas costumam ser públicas demais para não serem questionadas.

Fonte:www.ouropretoonline.com

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