Toffoli é tido por funcionários como dono de resort, afirma site

Publicado em: 22/01/2026 11:19
Local teria até a realização de um jogo chamado blackjack, que é proibido no Brasil

Paulo Moura

Dias Toffoli Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Embora não figure oficialmente como proprietário, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), é tratado por funcionários do Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), como dono do empreendimento. O local, construído por familiares do magistrado, tornou-se conhecido na cidade como “resort do Toffoli” e hoje está no centro de questionamentos após a revelação de que abriga um cassino.

Repórteres do site Metrópoles que foram ao local sem se identificar relataram que Toffoli frequenta o resort com regularidade, e que utiliza estruturas exclusivas, como uma residência em área reservada do complexo e uma embarcação atracada no píer. Apesar disso, o nome do ministro não aparece nos registros oficiais do empreendimento.

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O resort oferece máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de cartas. Entre as modalidades disponíveis está o blackjack, jogo proibido no Brasil quando praticado com apostas em dinheiro. Todos os jogos observados funcionam com pagamento real. O espaço destinado à jogatina conta com iluminação artificial, carpetes e luzes de neon, em um ambiente semelhante ao de cassinos no exterior.

O cassino dispõe de 14 máquinas de vídeo loteria. Embora essas máquinas sejam regulamentadas pelo governo do Paraná, funcionam de forma semelhante a caça-níqueis. Além disso, a reportagem relata ter sido convidada, fora do horário oficial de funcionamento, a participar de jogos como blackjack valendo dinheiro, prática considerada ilegal pela legislação brasileira.

O acesso ao espaço não possui controle rigoroso. Em duas ocasiões, a reportagem flagrou crianças utilizando as máquinas de apostas, próximas a adultos que consumiam bebidas alcoólicas.

Jogos de azar presenciais são proibidos no Brasil, mas, em 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os estados podem explorar as chamadas vídeo loterias. O julgamento foi relatado pelo ministro Gilmar Mendes, e Dias Toffoli acompanhou o voto que flexibilizou a interpretação da lei. Ainda assim, jogos de cartas com apostas em dinheiro seguem proibidos.

Antes da venda do resort, parte das ações do hotel foi adquirida por um fundo que tinha como investidor o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Toffoli é relator no STF de investigações que envolvem a instituição financeira e também já atuou em processos ligados à J&F.

Ministros do STF já se hospedaram no Tayayá, segundo funcionários, entre eles Cármen Lúcia. O resort fica às margens da represa de Xavantes, próximo à divisa entre Paraná e São Paulo. As diárias chegam a cerca de R$ 2 mil nas acomodações mais simples. A estrutura inclui piscinas, quadras esportivas e atividades recreativas.

De acordo com o Metrópoles, mesmo após o resort ter sido vendido por dois irmãos e um primo de Toffoli a um advogado ligado ao grupo J&F, o local foi fechado para uma festa privada organizada pelo ministro. O evento mobilizou a equipe do hotel e contou com a presença de artistas e do ex-jogador Ronaldo Nazário, o Fenômeno.

Procurado, o advogado Paulo Humberto, atual proprietário, afirmou que os jogos oferecidos são autorizados pela loteria estadual e que as mesas de cartas servem apenas para lazer entre hóspedes, sem incentivo à jogatina. Questionado pelo site, o ministro Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos.

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