EUA dizem que podem ‘agir sozinhos’ na América Latina para combater cartéis
Foto: Reprodução
País firmou acordo de combate a cartéis com 16 governos aliados
O governo dos Estados Unidos afirmou que pode realizar ações unilaterais em países da América Latina no combate a cartéis do narcotráfico caso considere necessário. A declaração foi feita durante uma conferência internacional realizada na Flórida, que reuniu representantes de 16 países da região para discutir estratégias de segurança.
O encontro, chamado Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, foi liderado pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, na cidade de Doral. Segundo ele, Washington prefere atuar em parceria com os países latino-americanos, mas não descarta agir sozinho para enfrentar organizações criminosas consideradas ameaças à segurança regional.
Durante o evento, Hegseth afirmou que os Estados Unidos estão preparados para “partir para o ataque sozinhos, se necessário”, embora a intenção seja trabalhar em conjunto com aliados e vizinhos do continente. A conferência teve a participação de representantes de países da América do Sul, América Central e Caribe.
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A iniciativa faz parte da política estratégica adotada pelo governo norte-americano, inspirada no chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe, que reforça a influência dos Estados Unidos sobre o continente americano e busca limitar a presença de potências externas na região.
Especialistas avaliam que a declaração representa um alerta para os países latino-americanos. O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona, classificou a fala como uma “ameaça gravíssima”, afirmando que esse tipo de posicionamento pode representar risco à soberania das nações da região.
Segundo o pesquisador, os Estados Unidos estariam tentando transferir para a América Latina a responsabilidade pelo combate às drogas que chegam ao país, o que poderia abrir espaço para intervenções no continente.
Governos da região reagiram defendendo que o enfrentamento ao narcotráfico deve ocorrer com cooperação internacional, mas respeitando a soberania nacional. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o combate ao crime deve acontecer com coordenação entre os países, “sem subordinação”.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu o tema do combate ao narcotráfico nas discussões diplomáticas com o governo norte-americano, ressaltando a importância de separar ações policiais de iniciativas militares relacionadas à defesa territorial.
Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou que a luta contra os cartéis precisa ser conduzida em parceria com os países latino-americanos, destacando que a região tem interesse direto no combate às organizações criminosas que atuam no continente.




