PAPA LEÃO XIV RECONHECE OMISSÃO DA IGREJA NA ESCRAVIDÃO E PEDE PERDÃO
Publicado em: 26/05/2026 10:30
Pontífice afirma que a Igreja demorou a condenar a escravidão transatlântica e chama omissão histórica de “ferida na memória cristã”
Vaticano, 25 de maio de 2026 – O Papa Leão XIV reconheceu nesta segunda-feira que a Igreja Católica não condenou de forma veemente a escravidão transatlântica até o século XIX e pediu perdão oficialmente pelos erros e omissões históricas da instituição.
Em sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas, o pontífice descreveu a omissão como “uma ferida na memória cristã”. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, escreveu o Papa.
O documento aborda o passado escravocrata da humanidade e o papel da Igreja frente a ele. Leão XIV admitiu que, apesar de condenações pontifícias pontuais contra o tráfico de indígenas e algumas bulas contrárias ao comércio de escravos, a instituição não se posicionou de maneira clara e firme contra o sistema escravagista que marcou séculos da história moderna, especialmente o tráfico transatlântico de africanos.
A encíclica também trata de temas contemporâneos, como a regulação da inteligência artificial, a crítica a conflitos armados atuais e o que o Papa classifica como “novas formas de escravidão”, incluindo condições precárias de trabalho em setores tecnológicos e econômicos.
A declaração marca um posicionamento direto do novo pontífice sobre um dos capítulos mais controversos da história da Igreja. Pedidos anteriores de perdão por envolvimento ou silêncio diante de colonialismo e escravidão já haviam sido feitos por papas como João Paulo II e Francisco, mas o texto de Leão XIV é considerado o mais explícito sobre a demora da condenação à escravidão africana.
A publicação da encíclica ocorre exatamente no dia da posse simbólica de seu pontificado e já gera repercussão entre historiadores, teólogos e comunidades afrodescendentes. Enquanto alguns veem o gesto como um importante passo de reparação histórica, outros setores mais conservadores da Igreja preferem contextualizar as ações passadas dentro da realidade de cada época.
O Vaticano ainda não divulgou a íntegra do documento, mas trechos divulgados pela Sala de Imprensa da Santa Sé confirmam o tom de reconhecimento e pedido de perdão.
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