Ouro Preto comemora 45 anos de emancipação política-administrativa

Publicado em: 15/06/2026 12:58

Ouro Preto comemora 45 anos de emancipação política-administrativa

O município de Ouro Preto do Oeste comemora neste dia 16 (terça-feira) 45 anos de emancipação política-administrativa. A história do município envolve a colonização no Estado de Rondônia, que teve o seu inicio no final da década de 60, na época, o governo federal através do Ministério da Agricultura incentivou a ocupação da Amazônia legal, no qual técnicos do então Instituto Brasileiro de Reforma Agrária–Inbra (hoje transformado em INCRA) executou no então Território Federal de Rondônia nove projetos de assentamentos.

No ano de 1970, o Inbra iniciou o Projeto Integrado de Colonização Ouro Preto (Picop) assentando 500 famílias migrantes, o plano inicial previa a capacidade de atender cerca de 2 mil famílias, no ano de 1973 já contava com mais de 3 mil famílias, instaladas em áreas individuais de 100 hectares nos anos seguintes o Picop recebeu uma demanda grande, surgindo na pequena vila de Ouro Preto, as primeiras habitações.

O nome de Ouro Preto segundo relatos de técnicos do Inbra foi em razão da existência de um tipo de solo roxo escuro, predominante da região que eles denominaram ouro preto modal. O acréscimo de Do Oeste foi necessário para diferenciar do outro nome já existente no Estado de Minas Gerais. O núcleo urbano cresceu em ritmo acelerado transformando-se em distrito do município de Ji-Paraná, em 30 de janeiro de 1978, através do decreto nº. 81.772 com nome de Ouro Preto.

A Lei nº 6.921, de 16 de junho de 1981, assinado pelo então presidente da República general João Batista Figueiredo instituiu o município de Ouro Preto do Oeste que até então era um distrito de Ji-Paraná. Atualmente cerca de 34 mil habitantes (sendo 29.597 eleitores) residem nas zonas urbana e rural do município, Rondominas, distante 45 quilômetros, é o único distrito, mas a área geográfica de Ouro Preto do Oeste já foi maior, dando origem aos demais municípios que compõem a região central do Estado (Vale do Paraíso, Mirante da Serra, Nova União, Teixeirópolis e Urupá).

Conhecida como a Bacia Leiteira, do qual o município é um forte produtor quando já chegou a produzir 230 mil litros de leite por dia, hoje este índice caiu pela metade, concentra a instalação de laticínios que industrializam produtos para o consumo interno e exportação para todo o país.

No setor agrícola, é destaque na produção de café, feijão e milho, o município já foi o maior produtor de mamão da região norte do país. Ouro Preto do Oeste fica distante 330 quilômetros da capital Porto Velho o seu primeiro administrador foi o ex-deputado federal, estadual e ex-prefeito de Ariquemes Francisco Sales, o primeiro prefeito eleito com o voto direto foi engenheiro agrônomo Expedito Rafael Góes Siqueira (1983 a 1989), depois Joselita Araújo (1989 a 1993), Agmar de Souza Gomes o Piau (1983 a 1996) que faleceu em acidente automobilístico na BR 364 sentido Ji-Paraná em novembro de 1996, Carlos Magno Ramos (1987 a 2004), e durante os anos de 2005 à 2008 se revezaram no Poder o prefeito Irandir Oliveira de Souza (cassado pela Justiça) o seu vice Braz Resende,o Alex Testoni administrou o município por 8 anos (2009 à 2017), Vagno Gonçalves Barros administrou o município de 2017 a 2021, atualmente quem é o gestor público municipal é o empresário Alex Testoni que cumpre o seu 4º mandato de prefeito eleito pelo voto popular.

Ouro Preto do Oeste vem se tornando num importante pólo industrial, ideal para receber investidores de agroindústria e empresas de transformação e agregados.

No turismo Ouro Preto do Oeste, tem nas suas belezas naturais a vocação para o “turismo ecológico”, com trilhas abertas nas reservas que cercam a cidade o grande destaque é o Parque Chico Mendes com o Morro da Embratel, o local é considerado o melhor da região Norte do país para a pratica do “paraglider”. Ouro Preto possui uma das maiores Reserva Biológica do Brasil. Outros pontos merecem destaques: Vale das Cachoeiras localizada numa área de 113 hectares, 63% da qual de reserva legal, na tríplice fronteira entre os municípios de Teixeirópolis, Nova União e Ouro Preto do Oeste. A Cachoeira do Rio Mandi, a mais alta de Rondônia, com queda d’água livre de 32 metros de altura. O vale é formado por pelo menos mais 10 cachoeiras menores com queda d’água livre de 3 a 10 metros de altura, onde se pode ver macacos, capivaras, veados e várias espécies de aves, entre outros animais silvestres. Rancho Coqueiral localizado na BR 364 sentido Jaru, distante 5 km do centro da cidade local de beleza rara, Graúna Resot Hotel localizado na encosta do Morro da Embratel, Parque Recreativo Tocari e o Hotel Fazenda Ouro Park localizado à 16 km do centro da cidade.

TUDO ACONTECIA NO CINEMA

O jornalista Roberto Gutierrez Rocha depõe: “Lembro como se fosse hoje, 1973, à luz de vela, não havia luz elétrica na Sapolândia”.

O pai de Roberto, seu Agenor Rocha, que viveu 93 anos, foi proprietário do primeiro cinema da cidade, cujos projetores de 35 milímetros inauguraram o Cine Lacerda, em Porto Velho.

Afora a programação de faroestes, comédias e aventuras na selva, o salão do cinema marcou época com outra finalidade, recorda o jornalista: “Todas as reuniões importantes políticas da época, desde a instalação dos distritos, do município, à posse dos eleitos, mais as reuniões do (governador) Teixeirão, lançamentos do Projeto Mutirão, da própria Companhia de Desenvolvimento de Rondônia (Codaron), as primeiras sessões da Câmara dos Vereadores, tudo acontecia no cinema, e meu pai nunca cobrou nada por isso, nem mesmo o combustível usado para funcionar o motor de energia elétrica”.

PIONEIROS QUASE ANÔNIMOS

Segundo Roberto Rocha a plantação das mudas de cacau na Estação Experimental da Ceplac fora coordenado pelo agrônomo Frederico Álvares Affonso, e as fotos desse período ficaram algum tempo guardadas na Escola Isolada Doutor Joaquim de Lima Avelino. “Nelas estão muitos heróis anônimos que morreram lutando para garantir um pedaço de terra onde os inimigos não eram latifundiários, mas as doenças tropicais, entre elas, a malária, e os acidentes causados por derrubadas”.

“Muitos morreram esmagados por árvores em derrubadas, famílias inteiras dizimadas pela malária, uma história de muitos órfãos que hoje são avós”, conta o jornalista.

O ponto comercial mais importante era a cantina do capitão Sílvio de Farias, na entrada de Ouro Preto, onde eram distribuídos os mantimentos para as equipes que abriram as primeiras estradas vicinais. Eram dois acampamentos: do Machado e do Miache.

PERSONAGENS POLÍTICOS

“Trabalhavam ali os conhecidos Comara, Caribamba, Capixaba, Ezequiel, Quito, Agenor Nogueira da Rocha, Zefirino, e tantos mais que minha memória de um garoto de 13 anos não conseguiu guardar. A primeira linha aberta foi a 22, e nela morava o paranaense (de Ubiratã) João Dias, que foi vereador em Porto Velho e mais tarde deputado estadual pelo MDB”, lembra Gutierrez

Enquanto as linhas vicinais eram abertas – 1970 – o Incra, coordenado pelo agrônomo Assis Canuto, era o responsável pelo assentamento das famílias em lotes de 100 hectares.

O jornalista se lembra dos integrantes da equipe de Canuto: Ademar da Costa Sales, Praça Ferreira, Doutor Julimar Militão, Morluf, Augustinho Peniche, Nunoi Itsumi (depois prefeito de Ji-Paraná), Antônio Cunha, Eustáquio, Bosco, Paulo Brandão (do Incra); os guardas florestais Célio, Amaurino, Soares (empresário em Jaru) e Peniche; técnicos agrícolas Francisco Sales Duarte de Azevedo (depois, prefeito de Ariquemes e deputado federal), Genivaldo Souza (foi deputado estadual), Demerval Baiano da Ceplac, Professor Junqueira, pioneiro no plantio de café; Itabaiana, Adalberto da Ceplac, Barbosa, seu Oliveira…

E, ainda, dos motoristas e comerciantes: Nilo, Nelson Baracho, Raimundo da Cruz Teixeira, seu Agenor da Rocha, Alemão Preto, Vicentão, Manezinho Rocha, Zezé, Badé, e do tratorista Chico Parafuso, entre outros mais.

Parte desses personagens por ele citados já morreu, e o restante se aposentou. Todos chegaram a Ouro Preto de 1970 a 1973.

Sobre Ouro Preto do Oeste
Área Total: 1.978,0 km²

O número de habitantes do censo do IBGE 2025 em Ouro Preto do Oeste é de 38.684 pessoas. Esse dado faz parte das estimativas populacionais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Vale destacar que o último Censo Demográfico oficial, realizado em 2022, havia registrado 35.044 moradores no município

 

Alexandre Araujo/ouropretoonline.com

 

Pesquisa: Roberto Gutierrez

 

 

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