Suspeita de Vazamento na Operação Reduto Levanta Alertas Sobre Integridade da PF em Rondônia
PORTO VELHO RO – A deflagração da Operação Reduto, ocorrida na manhã desta quinta-feira (9), que mira um suposto esquema de corrupção na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), foi precedida por eventos que geram preocupações sobre um possível vazamento de informações sigilosas.
O Cronograma dos Fatos
A coincidência temporal entre o cancelamento da agenda do presidente da ALE-RO, deputado estadual Alex Redano (Republicanos), e a ação policial coloca em xeque a confidencialidade da operação:
Cancelamento de última hora: Na noite de quarta-feira (8), poucas horas antes da operação, Redano comunicou, no grupo de WhatsApp “Nominata Republicanos 2026”, que não participaria de um jantar político devido a um “problema familiar de última hora”. A mensagem foi enviada às 22:11.
Postura de abatimento: Antes do início das buscas, o deputado divulgou um vídeo com aparência abatida, no qual afirmou que “estão levando o Judiciário ao erro” em relação às investigações.
Preocupação com a Integridade da Investigação
A proximidade entre o aviso de Redano no grupo de WhatsApp e a execução dos mandados pela Polícia Federal levanta questionamentos graves sobre a segurança das informações. A suspeita de que uma organização criminosa, supostamente instalada dentro da Assembleia Legislativa, possa ter ramificações ou influência capaz de antecipar operações da Polícia Federal, coloca em risco a própria integridade e credibilidade das instituições de controle.
A Operação Reduto
A ação, conduzida pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público de Rondônia (MPRO), investiga crimes como fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As autoridades cumprem 19 mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva, além do afastamento de 11 servidores e o bloqueio de até R$ 9 milhões em bens.
Até o momento, não houve confirmação oficial de qualquer relação entre o cancelamento do jantar pelo deputado e o vazamento da operação. O caso segue sob investigação, enquanto cresce o debate sobre a necessidade de apurar a origem de tais informações sensíveis.
Histórico de instabilidade: Redano é o sexto presidente da ALE-RO alvo de ações policiais
“A operação desta quinta-feira coloca o deputado estadual Alex Redano em uma lista crítica no cenário político estadual. Ele se torna o sexto presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia a ser alvo de operações policiais ao longo da história da Casa. O fato reacende o debate sobre a governabilidade e a transparência no Poder Legislativo rondoniense, que tem enfrentado recorrentes questionamentos das forças de segurança nos últimos anos.”
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PREJUÍZO MILIONÁRIO: Empresa alvo da PF já foi investigada por contratos com risco de R$ 225 milhões –
Operação Reduto investiga empresa que aluga ambulâncias para a prefeitura de Ariquemes
A empresa Millennium Locadora Ltda., sediada em Manaus (AM), está no centro de uma das frentes da Operação Reduto, deflagrada nesta quinta-feira (9) pela Polícia Federal. Segundo as investigações, a companhia é suspeita de ter sido beneficiada em um esquema de direcionamento de licitações em Ariquemes, enquanto outra parte da organização criminosa investigada atuaria em um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo servidores comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia.
O sócio-administrador da empresa é o empresário Ivair Ferreira, alvo de mandados de busca e apreensão em Manaus. Na residência dele, localizada no bairro Ponta Negra, agentes da Polícia Federal apreenderam cerca de R$ 815 mil em dinheiro vivo e uma coleção de relógios de luxo. A PF também cumpriu buscas na sede da Millennium Locadora, no bairro Adrianópolis.
As investigações apontam que a Millennium presta serviços de ambulâncias para a Prefeitura de Ariquemes e é suspeita de ter vencido contratos públicos direcionados pelo grupo investigado. Conforme a Polícia Federal, a organização atuava em duas frentes: uma voltada para fraudes em licitações municipais e outra relacionada ao desvio de salários de servidores da Assembleia Legislativa por meio de um esquema de “rachadinha”.
A empresa, porém, já havia sido alvo de questionamentos antes da operação. Em janeiro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) suspendeu contratos firmados entre a Millennium e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RO), após identificar indícios de sobrepreço no Pregão Eletrônico nº 615/2023. Na ocasião, o órgão apontou risco de prejuízo de até R$ 225,2 milhões aos cofres públicos.
De acordo com dados da Receita Federal, a Millennium Locadora foi fundada em 1999, possui capital social de R$ 30,6 milhões e atua principalmente na remoção de pacientes, além de serviços de locação de veículos, transporte de passageiros e cargas, terraplenagem e fornecimento de mão de obra.
As investigações da Operação Reduto tiveram início em 2024, após Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf apontarem movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Segundo a PF, foram identificadas movimentações superiores a R$ 9 milhões, o que levou a Justiça a determinar o bloqueio de bens, ativos financeiros e criptoativos até esse valor, além do afastamento de 11 servidores públicos e da expedição de dois mandados de prisão preventiva.
Até o momento, a defesa de Ivair Ferreira e da Millennium Locadora não havia se manifestado sobre as acusações. A investigação segue em andamento e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.


