Ouro Preto do Oeste já foi referência em arborização, mas hoje enfrenta cortes de árvores e falta de planejamento

Ouro Preto do Oeste já foi referência em arborização, mas hoje enfrenta cortes de árvores e falta de planejamento
Município ocupa a 14ª posição no ranking de arborização urbana da região Norte, segundo dados atribuídos ao IBGE; moradores convivem com a retirada de árvores e a ausência de uma política eficaz de preservação e plantio.
Localizado na região central de Rondônia, a aproximadamente 330 quilômetros de Porto Velho, o município de Ouro Preto do Oeste enfrenta um desafio que afeta diretamente o meio ambiente e a qualidade de vida da população: a falta de uma política eficiente de arborização urbana.
Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mencionados no levantamento, Ouro Preto do Oeste ocupa a 14ª posição no ranking de arborização das vias urbanas da região Norte. No mesmo ranking, Rolim de Moura, também em Rondônia, aparece na primeira colocação, com 94,60% de arborização.
A situação chama a atenção porque Ouro Preto do Oeste já foi considerada uma das cidades mais arborizadas da região. Entretanto, a realidade observada atualmente levanta questionamentos sobre a preservação das árvores existentes e a adoção de medidas para ampliar a cobertura vegetal nas ruas e avenidas.
Cortes de árvores levantam questionamentos
Um dos problemas apontados é a retirada frequente de árvores em diferentes pontos da cidade. A preocupação está na necessidade de avaliar, caso a caso, se os cortes são realmente indispensáveis e se existem estudos técnicos que justifiquem essas intervenções.
A retirada de árvores pode ser necessária em situações específicas, como riscos comprovados de queda, comprometimento de estruturas ou problemas fitossanitários. No entanto, a população tem o direito de cobrar transparência, critérios técnicos e planejamento por parte do poder público.
Sem uma política consistente de manejo, preservação e reposição, a cidade corre o risco de perder gradativamente sua cobertura vegetal, comprometendo o sombreamento das vias, o conforto térmico e a qualidade dos espaços públicos.
Arborização é qualidade de vida
Em cidades amazônicas, onde as temperaturas podem ser elevadas durante boa parte do ano, a arborização urbana desempenha papel fundamental. As árvores ajudam a reduzir a incidência direta do sol sobre ruas e calçadas, amenizam o calor, contribuem para a melhoria da qualidade do ar e tornam os espaços públicos mais agradáveis para pedestres e moradores.
Uma política eficiente não se resume ao plantio de mudas. É necessário selecionar espécies adequadas, planejar os locais de plantio, realizar podas técnicas, acompanhar o desenvolvimento das árvores e promover a substituição das que precisarem ser removidas.
Também é fundamental que o município estabeleça critérios transparentes para autorizar cortes, divulgue as justificativas técnicas e adote medidas de compensação ambiental quando cabíveis.
Onde está o planejamento ambiental?
Diante desse cenário, fica o questionamento: quais ações a administração municipal de Ouro Preto do Oeste está desenvolvendo para preservar as árvores existentes e recuperar a arborização das vias urbanas?
A elaboração e a divulgação de um plano municipal de arborização, acompanhado de metas de plantio, manutenção e preservação, seriam medidas importantes para orientar as intervenções e permitir que a sociedade acompanhe os resultados.
Ouro Preto do Oeste precisa voltar a tratar a arborização como uma política pública permanente, e não apenas como uma ação pontual. Afinal, árvores não são obstáculos à vida urbana: quando bem planejadas e cuidadas, são parte essencial de uma cidade mais saudável, agradável e sustentável.

Rolim de Moura (RO) lidera o ranking com 94,60% de arborização em suas vias, seguida por Xinguara (PA) com 93,70% e Colinas do Tocantins (TO) com 92,20%. Espigão D’Oeste (RO) em 4º lugar com 90,20% e Pimenta Bueno (RO) em 5º com 89,70% completam o top 5.
Entre a 6ª e a 15ª posição aparecem Palmas (TO, 88,90%), Jaru (RO, 87,90%), Cacoal (RO, 87,50%), Vilhena (RO, 87,30%), Guajará-Mirim (RO, 86,90%), Ariquemes (RO, 86,90%), Ji-Paraná (RO, 85,90%), Redenção (PA, 85,50%), Ouro Preto do Oeste (RO, 85,40%) e Santana do Araguaia (PA, 82,70%).
Do 16º ao 20º lugar destacam-se Porto Nacional (TO, 82,10%), Tucumã (PA, 80,90%), Conceição do Araguaia (PA, 80,00%), Gurupi (TO, 76,80%) e Oriximiná (PA, 76,50%).

Dados do Censo 2022 do IBGE revelam as 20 cidades com mais de 20 mil habitantes menos arborizadas da Região Norte. Cabe destacar que o indicador avalia a presença de árvores nas vias públicas do entorno dos domicílios, e não a cobertura vegetal ou florestal do município.
Benjamin Constant (AM) ocupa a 1ª posição com o menor índice, registrando apenas 21,00% de arborização em suas vias públicas. Tefé (AM) aparece em 2º lugar com 22,60%, seguido por Carauari (AM) em 3º com 26,30%. Curuçá (PA, 26,50%) e Sena Madureira (AC, 27,00%) completam o top 5.
Entre a 6ª e a 15ª posição figuram Augusto Corrêa (PA, 27,30%), Dom Eliseu (PA, 27,40%), Marituba (PA, 32,60%), Benevides (PA, 33,20%), Ananindeua (PA, 33,20%), Cametá (PA, 33,40%), Manacapuru (AM, 34,40%), Juruti (PA, 35,20%), Ulianópolis (PA, 38,50%) e Vigia (PA, 38,80%).
Do 16º ao 20º lugar destacam-se Breu Branco (PA, 39,80%), Rio Branco (AC, 40,10%), São Miguel do Guamá (PA, 40,20%), Baião (PA, 40,20%) e Santa Izabel do Pará (PA, 41,20%).
A escassez de árvores nas vias urbanas impacta diretamente o conforto térmico, o microclima e a qualidade de vida da população nas cidades da Amazônia.
Preservar as árvores existentes e plantar novas espécies com planejamento é investir no futuro de Ouro Preto do Oeste.
Fonte:www.ouropretoonline.com
